Mídia Ateísta

Yahoo Respostas categoria religião e espiritualidade

"Por que a mídia ateísta esconde?"

Foto: prisão ateísta - manipulação midiática

 

Por que "Mídia Ateísta?"

Cruzado medieval

 

Mídia ateísta significa a imposição cultural do ateísmo ou suas variantes como visão única. As elites sufocam as populações ocidentais, proibindo suas raízes católicas de forma velada, porém muito eficaz. Eis que surge na internet brasileira formidável combatente, que quebra a hegemonia bilionária do ateísmo cultural.

Igreja Católica, a única de Deus

 



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O mundo passa por tremenda crise causada pela falta de valores espirituais. A doutrina agnóstica-ateísta corrompeu o seio das universidades (outrora cristãs) desencadeando a maior falta de intelectualidade vista na história.

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Porém, destemidos batalhadores travam resistência contra a maioria, bruta e teimosa. Perseguidos, não medem esforços para alertar este povão ignorante, que tombou vitimado pelo ateísmo cultural. Nasce então, verdadeira tarefa educacional. Falar de assuntos espinhosos aos acomodados.

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Há alguma esperança. Temos a chance de furar a parede que impedia a todos de enxergarem fora da prisão. A internet enquanto livre possibilita esta feita e contagia aos poucos com novos ares a opinião pública, outrora tão programada ao erro.

 

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Veja perguntas da Mídia Ateísta
  • Por que a mídia ateísta esconde?
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Conheça nossos aclamados usuários da Religião e Espiritualidade

  Mídia Ateísta

O principal participante do site, por desafiar o status quo. Mostra a hipocrisia e o teatro daqueles que são trolls ou sem caráter.

Mídia Ateísta

Que fingem ter santidade em suas contas alternativas. Mas são pegos de "calça arriada" e cheios de ódio, partem para a vingança brutal. Por isso perseguem e odeiam de forma atroz o grande participante conhecido como "Mídia Ateísta".

Mídia ateísta yahoo respostas

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O principal participante do site, por desafiar o status quo. Mostra a hipocrisia e o teatro daqueles que são trolls ou sem caráter. Que fingem ter santidade em suas contas alternativas. Mas são pegos de "calça arriada" e cheios de ódio, partem para a vingança brutal. Por isso perseguem e odeiam de forma atroz o grande participante conhecido como "Mídia Ateísta".

Por que a mídia ateísta esconde
Mídia Ateísta

Mídia ateísta: "Um perigo para a juventude."

Isaacmt8
  Isaacmt8

Não poderíamos deixar de falar deste honrado usuário, que é o líder da categoria por méritos. Isaacmt8 foi muito perseguido durante anos a fio, mas mesmo assim com coragem, pregando contra o mundanismo. Ele sempre esteve ciente dos perigos do ateísmo, sendo grande atalaia contra a modernidade sem Deus. Atualmente entra muito pouco no site, causando enorme saudade àqueles que combatem o bom combate.

Mídia ateísta: "Um perigo para a juventude"

  Isaacmt8

Não poderíamos deixar de falar deste honrado usuário, que é o líder da categoria por méritos. Isaacmt8 foi muito perseguido durante anos a fio, mas mesmo assim com coragem, pregando contra o mundanismo. Ele sempre esteve ciente dos perigos do ateísmo, sendo grande atalaia contra a modernidade sem Deus. Atualmente entra muito pouco no site, causando enorme saudade àqueles que combatem o bom combate.

Isaacmt8
Isaacmt8

"O ateísmo estraçalha a personalidade e torna o indivíduo outra coisa estranha a ele próprio."

  Dark Mickey

Insano hater que não tem racionalidade e prefere odiar primeiro do que analisar qualquer coisa. Cheio de preconceitos, se dava apenas

Dark Mickey
Dark Mickey e Donald

com seu coleguinha fundamentalista AntiAteu PILICA Águia Kadosh Sam, uma mente igual a sua. Mas romperam a gradiente "amizade". E agora unhadas de ambos os lados jorram diariamente na tela. Os dois se acham grandes cientistas.

"O ateísmo estraçalha a personalidade e torna o indivíduo outra coisa estranha a ele próprio."

  Dark Mickey

Insano hater que não tem racionalidade e prefere odiar primeiro do que analisar qualquer coisa. Cheio de preconceitos, se dava apenas com seu coleguinha fundamentalista AntiAteu PILICA Águia Kadosh Sam, uma mente igual a sua. Mas romperam a gradiente "amizade". E agora unhadas de ambos os lados jorram diariamente na tela. Os dois se acham grandes cientistas.

Dark Mickey
Dark Mickey

"A manipulação mental da ideologia ateísta é ainda pior que a dos pastores da TV."

  Deuso

Possui mentalidade infantil, dizendo que todos os cristãos quando dão melhor resposta, estão invariavelmente auto-pontuando.

Ou seja, acredita que no site todo só há ele, meia dúzia de ateus honestíssimos e mais um cristão. Crê mesmo que o YR não tem mais de uma dezena de partícipes. Acusa, inventa e falsifica. Ao mesmo tempo diz ser contra táticas lulo-petistas.

Deuso
Deuso um deuso

"A manipulação mental da ideologia ateísta é ainda pior que a dos pastores da TV."

  Deuso

Possui mentalidade infantil, dizendo que todos os cristãos quando dão melhor resposta, estão invariavelmente auto-pontuando. Ou seja, acredita que no site todo só há ele, meia dúzia de ateus honestíssimos e mais um cristão. Crê mesmo que o YR não tem mais de uma dezena de partícipes. Acusa, inventa e falsifica. Ao mesmo tempo diz ser contra táticas lulo-petistas.

Deuso
Deuso

"Sem a imposição do ateísmo, a globalização econômica e ingerência da ONU não existiríam."

Cacounger
Cacounger o missionário

  Cacounger

Repete as mesmas frases como o ateu Iconoclasta Sagaz. Ambos sofrem de falta de racionalidade e excesso de fanatismos

em suas respectivas ideologias. Cacounger participa ativamente no ano de 2020. E agora largou o "Leia o evangelho", trocando para a frase: "Sua pergunta está na categoria errada". Contratado pelo YR para gerenciar as perguntas?

"Sem a imposição do ateísmo, a globalização econômica e ingerência da ONU não existiríam."

  Cacounger

Repete as mesmas frases como o ateu Iconoclasta Sagaz. Ambos sofrem de falta de racionalidade e excesso de fanatismos em suas respectivas ideologias. Cacounger participa ativamente no ano de 2020. E agora largou o "Leia o evangelho", trocando para a frase: "Sua pergunta está na categoria errada". Contratado pelo YR para gerenciar as perguntas?

Cacounger
Cacounger

"Grande mídia ateísta, roubando os corações para o materialismo e consumismo."

Vidro-Filme

  Lisandro Hubris

O maior maluco da história do Yahoo, por isso mesmo pode ser o criador do personagem Daniel Fuser. Tem dezenas de personalidades.

Sabe que o ateísmo é uma religião esotérica, coisa que ateus principiantes não conseguem enxergar. Viajando na megalomania, acha que descobriu todos os mistérios universais. Fica online "na moita" 24 horas a fio.

Lisandro Hubris

"Grande mídia ateísta, roubando os corações para o materialismo e consumismo."

  Lisandro Hubris

O maior maluco da história do Yahoo, por isso mesmo pode ser o criador do personagem Daniel Fuser. Tem dezenas de personalidades. Sabe que o ateísmo é uma religião esotérica, coisa que ateus principiantes não conseguem enxergar. Viajando na megalomania, acha que descobriu todos os mistérios universais. Fica online "na moita" 24 horas a fio.

Vidro-Filme
Lisandro Hubris

"A nova era esotérica e o ateísmo carregam o mesmo ódio contra os cristãos."

  Tut

Grande juíz e carrasco de almas, julga de forma unilateral e sem misericórdia, aplicando a pena capital a qualquer um que pense de maneira diferente a sua. De modo contrário, protege sem pesos e medidas a todos que defendam qualquer uma de suas ideias. Implica exclusivamente com os cristãos. Idealizou um mundo a sua própria imagem e semelhança.

Tut, o juíz
Tut

"O ateísmo sozinho causou mais estragos a humanidade do que todas as religiões juntas."

Ruy L Freitas

  Ruy L Freitas

Super troll que dedicou 30% do tempo de sua vida para auto-pontuar suas dezenas de contas no Yahoo Respostas.

Ruy L Freitas

Criou legião de fãs, que defendem seu nome acima de tudo. Estes podem ser ele próprio, pois todos sabem que Ruy frequenta às escondidas o site diariamente. Prega um misto de kardecismo melado com neo-ateísmo politicamente correto.

"O ateísmo sozinho causou mais estragos a humanidade do que todas as religiões juntas."

  Ruy L Freitas

Super troll que dedicou 30% do tempo de sua vida para auto-pontuar suas dezenas de contas no Yahoo Respostas. Criou legião de fãs, que defendem seu nome acima de tudo. Estes podem ser ele próprio, pois todos sabem que Ruy frequenta às escondidas o site diariamente. Prega um misto de kardecismo melado com neo-ateísmo politicamente correto.

Ruy L Freitas
Ruy L Freitas

"Mídia ateísta, molda todo o pensamento mundial."

  • O ateísmo religioso de Karl Marx  

    O Ateísmo Religioso de Karl Marx

    “considere-se que o ateísmo – pelo menos na acepção desse livro – é o próprio segredo da religião (...) na sua verdadeira essência, em mais nada crê senão na verdade e divindade da essência humana”. Ludwig Feuerbach[1]

    Introdução

    Certamente, ao considerar o título do presente artigo, alguém poderia objetar que não é possível existir um ateísmo religioso. Realmente, se considerarmos os termos em suas acepções correntes, isto é, ateísmo como a negação da existência de Deus e religião como um conjunto de relações estabelecidas entre Deus e os homens, não poderíamos pensar num ateísmo religioso. Todavia, ao estudarmos certos pensadores modernos, muitas vezes deparamo-nos com paradoxos desse tipo. Um caso típico é o de Karl Marx. Em toda sua obra, desde a juventude até a maturidade, podemos encontrar curiosos paradoxos desse gênero.   

    Em 1841, Marx, Bruno Bauer e Feuerbach (jovens hegelianos), projetavam fundar uma revista cujo título seria Arquivo do Ateísmo. Segundo Arnold Ruge, outro jovem hegeliano e amigo de Marx, os três estavam a ponto de fundar uma “Montanha” anti-religiosa, tomando o estandarte do ateísmo e da mortalidade contra Deus, a religião e a imortalidade.[2] A revista não saiu, mas foi publicado um panfleto anônimo intitulado A trombeta do juízo final contra Hegel, ateu e anticristo. Um ultimatum. Nesse panfleto, escrito por Bauer e Marx, afirmava-se que Hegel era ateu.[3] Esse fato já nos traz alguns problemas. Como poderia Hegel, o grande expoente do idealismo alemão, autor da Fenomenologia do Espírito, leitor e seguidor dos místicos alemães (Mestre Eckhart, Nicolau de Cusa e Jocob Böhme) e dos neoplatonicos, ser chamado de ateu? Como seria possível, pois, ser ao mesmo tempo hegeliano e ateu como queriam os jovens hegelianos? O paradoxo é evidente, e não é o único.    

    Em 1873, Marx declarou que, quando escrevia o primeiro tomo de O Capital, os “epígonos enfadonhos na Alemanha culta” divertiam-se em tratar a Hegel como um “cão morto”, por isso, diz Marx, “declarei-me abertamente discípulo daquele grande pensador e inclusive, em algumas passagens do capítulo sobre a teoria do valor, cheguei a usar com prazer a sua forma peculiar de expressão.”.[4]           

    Ora, é sabido que Marx proclamava-se materialista. Como, então, poderia ser discípulo de um idealista? Afirmar que o idealismo hegeliano é ateu, ou seja, que Hegel negava a existência de Deus, ou pelo menos de uma divindade, é um absurdo. Do mesmo modo, dizer-se materialista e discípulo de um idealista é no mínimo estranho. Todavia, estes paradoxos existem.    

    Michel Löwy, que foi um defensor da versão puramente iluminista do marxismo, proclamava que “o socialismo de Marx nada tem a ver, social e ideologicamente, com o romantismo anticapitalista[5]. Depois, mudou de posição e reconheceu uma faceta romântica do marxismo. Considerando os estudos de Paul Breines e Jeffrey Herf, acabou declarando que: “Feita a reflexão, parece-me que Breines e Herf têm razão: existe em Marx uma dimensão romântica inegável[6]. Ora, Paul Breines havia declarado que: “Marx conseguiu uma fusão entre as correntes de crítica social romântica e iluministas-utilitaristas”.[7]

    Marx teria, portanto, fundido romantismo e iluminismo. Todavia, independente das razões que possam ter os autores acima citados, há um fato histórico que indica, ainda que indiretamente, a existência da dita fusão. Entre os discípulos de Marx há sem dúvida uma grande cisão. De um lado, alguns como Louis Althusser e Kostas Papaioannou defendem um marxismo cientifico, afirmando que na obra de Marx há uma ruptura entre um período inicial, do jovem Marx humanista hegeliano e o período posterior, do velho Marx, que seria racionalista e científico, dominado principalmente pelas obras econômicas de Marx. Outros, como György Lukács, Ernst Bloch, Erich Fromm e Walter Benjamin, defendem um marxismo religioso, que trata de economia e política a partir de uma base humanista religiosa. A divisão é patente. Ora, essa divisão do marxismo em duas grandes correntes, uma religiosa e outra cientificista, seria o resultado lógico da fusão instável, feita por Marx, do materialismo com o idealismo. Embora essa fusão possa gerar divisão, visto que seria uma união de idéias antitéticas, ela, em si, seria a negação da ruptura entre o “jovem” e o “velho” Marx, entre idealismo e materialismo, que de algum modo coexistiriam na obra de Marx. Nesse sentido, Erich Fromm é taxativo: “Pero, a pesar de ciertos cambios en los conceptos, en el tono, en el lenguaje, la raíz de la filosofía elaborada por el joven Marx no varió nunca y es imposible entender este concepto del socialismo y su crítica do capitalismo tal como se desarrolló en sus últimos años, si no es sobre la base del concepto del hombre que desarrolló en sus primeros escritos.”.[8] Mesmo Henri Lefebvre, defensor de um marxismo científico, afirma que o estudo das obras da juventude de Marx “permite aprofundar singularmente o marxismo como filosofia”; e não titubeia em declarar que: “A interpretação restrita (sectária) que separa o marxismo das suas origens e que, ao mesmo tempo, separa da sua formação e da sua história o marxismo constituído, perde assim uma riqueza filosófica infinitamente preciosa.”.[9]

    Na verdade, existe uma tensão que perpassa toda a obra de Karl Marx. No seio do sistema marxista combinam-se de modo obscuro racionalismo e irracionalismo, materialismo e idealismo, utopia e messianismo. Evidentemente, tal combinação não poderia ser estável, e a luta entre os marxistas pela verdadeira interpretação da doutrina de Marx era inevitável. Uns advogam uma versão iluminista materialista de Marx, outros uma versão romântica idealista, mas desse modo não chegam ao núcleo do sistema de Marx. 

    Em suma, é certo que a relação entre idealismo e materialismo em Marx é um problema fundamental. Nosso objetivo, portanto, é verificar qual o verdadeiro sentido, qual a verdadeira natureza dessa relação, pois, como veremos, na medida em que é possível ser, ao mesmo tempo, materialista e hegeliano, Marx foi um ateu religioso.

    I.                    Um Elo entre Idealismo e Materialismo

    1. Iluminismo e Romantismo

    A característica paradoxal do pensamento de Marx torna-se mais compreensível se tivermos uma visão, ainda que panorâmica, de seu itinerário intelectual. De modo geral, podemos dizer que há dois períodos da vida de Marx: um período inicial que vai até 1835, onde predominou uma influência liberal racionalista, e um segundo período, a partir de 1836, onde o idealismo alemão é dominante.

    No primeiro período é relevante a influência de seu o pai, Herschel Levi, que mesmo sendo filho de rabino recebeu educação secular e, como nota Isaiah Berlin, “tornou-se discípulo dos racionalistas franceses e seus seguidores, os alemães Aufklärer, convertendo-se ainda moço à religião da razão e da humanidade.”.[10] Segundo um de seus vizinhos, ele era um autêntico francês do século XVIII, conhecendo de memória seu Voltaire e seu Rousseau.[11] Essa mentalidade de Herschel refletia o liberalismo da própria região em que vivia, isto é, em Trier, onde Karl Marx nasceu e viveu até ir para a Universidade. Esta cidade situa-se na Renânia alemã, região que foi anexada e governada pela França revolucionária durante muito tempo, o que fez dela um dos lugares da Alemanha mais impregnado dos princípios e do espírito revolucionário. O próprio pai de Marx, que era um advogado conhecido e durante muito tempo foi presidente da associação dos advogados da cidade, “também estava intimamente ligado com o movimento liberal renano. Ele era membro da sociedade literária, o Trier Cassino Club, fundado durante a ocupação francesa e assim chamado por ser um lugar de encontro.”.[12]

    O clima intelectual do Liceu onde Marx estudou até 1835, como podemos imaginar, não era diferente. Aí também “o espírito liberal da Ilustração fora introduzido”, de modo que Marx recebeu uma educação tipicamente humanista. O próprio reitor do Liceu, Hugo Wyttenbach, havia contribuído para que aí reinasse um espírito liberal e racionalista. Wyttenbach havia participado da fundação do Trier Cassino Club, era amigo da família Marx e professor de história de Karl. Nesse mesmo Liceu do qual ele era reitor, o professor de matemática foi acusado de materialismo e ateísmo, e o professor de hebraico de ter se juntado às cantorias revolucionárias. Por tudo isso, e após a polícia ter encontrado sátiras antigovernamentais em posse de alunos, Wyttenbach foi obrigado a receber Loehrs, tido por reacionário, como co-reitor. Marx expressou seu repúdio a Loehrs despedindo-se de todos os professores menos dele ao sair do Liceu.

    É preciso lembrar, entretanto, que nesse período Marx sofreu a influência do Barão Ludwig von Westphalen, amigo da família. Esse Barão, homem muito culto, foi quem despertou o interesse de Marx pela Antiguidade Clássica e principalmente pela leitura de Shakespeare, Saint-Simon e Goethe. Isso foi, em certa medida, um abalo na formação racionalista do jovem Marx, predispondo-o ao romantismo.[13]                     

    No segundo período, após um curto momento conturbado em Bonn, onde Marx “quando não estava bebendo ou duelando, passava a maior parte do tempo escrevendo poesias”,[14] ele foi enviado por seu pai a Berlin, para terminar seus estudos de Direito. Se em Bonn Marx havia se embriagado com poesias românticas, cerveja e se deleitado com as populares aulas de literatura de August W. Schlegel, em Berlin ele mergulhou propriamente na filosofia idealista. Como lembra Isaiah Berlin: “A influência intelectual predominante na universidade de Berlin, como, aliás, em qualquer outra universidade alemã da época, era a filosofia hegeliana.”.[15] Mas, Marx ainda resistiu durante algum tempo; estudou com afinco Kant e Fichte. Como nota David McLellan, antes da conversão ao hegelianismo o racionalismo conceitual de Hegel “já tinha sido rejeitado por Marx, o discípulo de Kant e Fichte, o subjetivista romântico que considerava como ser mais alto o separar-se da realidade terrena. Agora, porém começava a parecer como se a Idéia estivesse imanente no real.”.[16] A atração do hegelianismo tornou-se irresistível para o jovem idealista, que acabou lendo Hegel de cabo a rabo e entrando para um grupo de discussão hegeliano, consolidando assim sua adesão ao Mestre que ele ainda evocaria na década de sessenta quando escrevia O Capital. Nesse momento Marx escreveu:

    HEGEL. ÉPIGRAMME

    I

    Longtemps j’ai cherché et erré sur la mer démanteé des pensées,

    Lors j’ai trouvé le Verbe, et me tiens ferme à ma trouvaille.

    IV

    Nous nous somme instruits selon Hegel,

    Et gracê à son Esthetique nous voulons encor nous purger.

    2. Os Jovens Hegelianos

     

    Marx entrou para o Clube dos Doutores de Berlin, onde segundo um dos membros do grupo: “neste círculo de homens jovens ambiciosos, muitos dos quais já tinham terminado seus estudos, reinavam soberanamente o idealismo, a sede de saber e o espírito liberal, que ainda inspirava completamente a juventude daquele tempo. Nestas reuniões os poemas e ensaios que tínhamos compostos eram lidos em voz alta e avaliados, mas a maior parte de nossa atenção era dedicada à filosofia hegeliana...”.[17]                             

    Antes de tudo, porém, é preciso lembrar que os jovens hegelianos eram revolucionários românticos, admiradores da Revolução Francesa: “Para todos os intelectuais alemães a Revolução Francesa era a revolução, e Marx e seus amigos Jovens Hegelianos constantemente se comparavam aos heróis de 1789.”.[18] Eles queriam uma revolução. Aliás, a Revolução Francesa era um modelo e um problema para eles. Esses homens acreditavam que os alemães, em matéria de filosofia, estavam muito a frente dos demais povos. Entretanto, não fizeram uma grande revolução como os franceses. Isso era o suficiente para indigná-los e gerar um grande debate entre os pensadores alemães. Como nos lembra A. S. Vázquez, Heine “já dizia que se os franceses haviam decapitado um rei, Kant, com sua Crítica da Razão Pura, havia decapitado Deus, e Fichte, anteriormente, não hesitara em colocar num mesmo plano a Revolução Francesa e sua doutrina do Eu, ambas como afirmações – uma prática e outra teórica – do princípio da autonomia da vontade e da soberania da razão humana.”.[19] O próprio Hegel interrogava-se sobre esse problema. Segundo ele, a revolução que foi feita na França e que ele aguardava para a Alemanha, tinha na base um mesmo princípio, isto é, o princípio kantiano da liberdade da vontade: “Em minha vontade, diz Hegel, não há nada exterior; nada pode me ser imposto como autoridade... Entre os alemães isso não passou de uma pacífica teoria; mas os franceses quiseram realizá-la praticamente. Surge, portanto, uma dupla questão: porque esse princípio da liberdade continuou sendo exclusivamente formal? – e – porque somente os franceses se lançaram à sua realização, e não também os alemães?”. Nessa mesma obra, Lições sobre a filosofia da história universal, Hegel dá uma resposta muito curiosa a essa questão. Segundo ele, “os protestantes já levaram a cabo sua revolução com a Reforma”.[20] Hegel via, portanto, uma ligação profunda entre Reforma Protestante e a Revolução Francesa.

    Contudo, os jovens hegelianos exigiam uma revolução mais efetiva. A revolução dos princípios já fora feita; agora era hora de uma revolução prática e política. Engels, muitos anos depois (1886), analisando esse período declarou: “A luta continuava a ser travada com armas filosóficas, mas já não se lutava por objetivos filosóficos abstratos; agora, tratava-se diretamente de acabar com a religião tradicional e com o Estado existente.”.[21]

    3. A Ambiguidade do Sistema Hegeliano

    Essa postura política dos jovens hegelianos foi um dos fatores responsáveis pela cisão que ocorreria entre os discípulos de Hegel após sua morte (1831). Porém, a causa principal foi a ambigüidade essencial do hegelianismo.

    Las controversias, relativas principalmente al pensamiento religioso y político del maestro, desembocaron, hacia 1835, a la división de la escuela hegeliana, formando-se una ‘derecha’ y una ‘izquierda’. Mientras los discípulos conservadores de Hegel (K. Rosenkrans, R. Haym, J. E. Erdmann, G. A. Gabler, K. Marheimneke, J. C. Weise, J. Schaller) se esforzaban en defender la letra del sistema, los miembros de la Izquierda hegeliana, o Jóvenes hegelianos (D. F. Strauss, A. Cieszkowski, A Ruge, B. Bauer, L. Feuerbach, K. F. Köpen, M. Stirner, M. Hess), intentaban, por fidelidad al espíritu del sistema, transformar profundamente la realidad cultural y política de la época.”.[22]

    Para compreendermos melhor o que foi essa cisão, na qual Marx esteve envolvido e foi tão importante para a construção de seu sistema, é necessário conhecermos alguns aspectos dessa ambigüidade do sistema hegeliano. Em linhas gerais, o sistema hegeliano possui a seguinte estrutura: primeiramente, temos a ciência da Idéia ‘em si’, que é a lógica; depois a ciência da Idéia em sua manifestação externa, no ‘ser outro’, que constitui a filosofia da natureza; e finalmente a ciência da Idéia que retorna sobre si mesma, que é a filosofia do espírito. Segundo Hegel, a Idéia absoluta só se determina exteriorizando-se, alienado-se na natureza, no mundo.[23] Após essa alienação, “a evolução do mundo leva à aparição do homem e do pensamento, graças ao qual a Idéia absoluta toma progressivamente consciência de si mesma, a princípio sob a forma de espírito subjetivo ou individual, depois sob a forma de espírito objetivo ou coletivo, que na família, nas diversas sociedades e no Estado, cria o direito e a moral e se eleva para o absoluto. Assim os espíritos encaminham-se pouco a pouco para a unidade do Espírito ou da Idéia absoluta que se dispersara na natureza para tomar consciência de si.[24]

    Esse é um brevíssimo esquema do sistema de Hegel, toda sua obra poderia dispor-se nas diversas etapas desse ciclo. Como pudemos perceber, esse ciclo inicia-se com a alienação, com a auto-negação da Idéia; a Idéia, portanto, seria a tese, o mundo a antítese e a síntese se daria com o Espírito Absoluto. A dialética, pois, é o princípio motor que dá início a uma mudança que se processa necessariamente segundo a formula triádica: tese, antítese e síntese, ou, afirmação, negação e negação da negação.[25] Essa marcha dialética foi chamada por Hegel de Razão, e aqui se encontra o ponto fundamental da ambigüidade do sistema, contido mais propriamente na máxima: “O que é racional é real, e o que é real é racional.[26] Tanto do ponto de vista teológico quanto do ponto de vista político, essa proposição hegeliana é a causadora da divisão. Do ponto de vista político, a máxima “o que é real é racional” parecia indicar a justificação e defesa do Estado existente, já que, na medida em que existe, é um fruto necessário da Razão Universal que rege a evolução da humanidade. Era assim, diz Engels, que julgavam Frederico Guilherme III e seus súditos.[27] Entretanto, essa mesma razão que fazia do real algo necessário, exigia sua superação, pois a fórmula “o que é racional é real” previa que o real está submetido à evolução da Razão Universal, que procede dialeticamente fazendo com que cada coisa traga em si mesma sua própria negação. Por isso, ao defender o método de Hegel como revolucionário, Engels afirma que “no processo de desenvolvimento, tudo que antes era real se transforma em irreal, perde sua necessidade, seu direito de existir”, portanto, continua ele: “A tese de que tudo que é real é racional se resolve, segundo todas as regras do método de pensamento de Hegel, nesta outra: tudo que existe merece perecer.”.[28]

    Essa ambigüidade do hegelianismo, onde as coisas aparecem ao mesmo tempo como necessárias e não-necessárias, fez com que uma ala de seus discípulos, a direita (velhos hegelianos), fiel a letra do sistema – onde Hegel propositalmente parecia defender a ordem estabelecida – defendesse o Estado prussiano, enquanto a esquerda (jovens hegelianos), dando asas ao espírito do sistema, buscasse derrubar a velha ordem.

    Do ponto de vista teológico, a luta se dá contra os dogmas. Analisando essa questão, C. Wackenheim nota que, como “según Hegel, es propio de ‘la naturaleza del Espíritu alienarse en vistas a reencontrarse’, los contenidos particulares de las representaciones religiosas (o dogma) deben concebirse como grados necesarios del desarrollo del Espíritu absoluto.[29] Ora, os jovens hegelianos ao invés de notarem a necessidade do dogma, como os hegelianos de direita, faziam questão de declarar que o processo dialético exigia a dissolução desses dogmas. Nessa discussão há, pelo menos, um exemplo arquetípico de cada uma das duas alas da teologia hegeliana: pela esquerda, David Friedrich Strauss e pela direita J. Schaller.

    Segundo Strauss, que foi influenciado por Schleiermacher, o Jesus da história é uma simples “representação” que corresponde à verdade conceitual da encarnação de Deus na humanidade inteira. Para ele é impensável que a encarnação limite-se a um só indivíduo; negando, pois, a existência histórica do Jesus, declara que Deus revela-se e realiza-se no desenvolvimento histórico de todo gênero humano. J. Schaller, de outro modo, esforça-se para demonstrar que a Idéia se realiza necessariamente em um espírito individual (o Jesus histórico) que transmitiria a irradiação para todo o gênero humano.[30]

    Era nessa luta que Marx e Engels estavam envolvidos. Foi como idealistas que eles decidiram lutar contra o Estado e contra a religião tradicional.

    Todavia, “a política era nessa época, diz Engels, matéria muito espinhosa; daí porque a luta principal fosse dirigida contra a religião;”.[31] Ele, portanto, nos revela uma tática revolucionária que, aparentemente, não possui nenhuma importância filosófica, entretanto, como o próprio Engels declara: “a grande maioria dos jovens hegelianos mais combativos, levados pela necessidade prática de lutar contra a religião positiva, tiveram que se voltar para o materialismo anglo-francês. E, ao chegar aqui, viram-se envoltos num conflito com o sistema de sua escola.”.[32] Ora, como lembra Engels, para o materialismo a única realidade é a natureza (mundo material), porém, para o hegelianismo a natureza é apenas a “exteriorização da Idéia absoluta”, sendo a Idéia o elemento primordial. Mas, como para atacarem a religião positiva precisavam recorrer ao materialismo, “davam voltas e mais voltas em torno dessa contradição”.[33]

    Foi então, diz Engels, que apareceu A Essência do Cristianismo de Feuerbach. De repente, essa obra pulverizou a contradição criada ao restaurar o materialismo em seu trono.[34]

    Foi então que Marx, como se diz, passou do idealismo ao materialismo; do jovem Marx para o velho Marx.  

    Essa pequena exposição do itinerário intelectual de Marx até o ano de 1841 levou-nos a um dos pontos fundamentais para o surgimento do marxismo, ou seja, o materialismo de Ludwig Feuerbach. Quanto a importância de Feuerbach, as declarações de Marx e Engels são muito claras e enfáticas. Engels por exemplo, falando sobre A Essência do Cristianismo, afirmou: “Só tendo vivido, em si mesmo, a força libertadora desse livro, é que se pode imaginá-la. O entusiasmo foi geral e momentaneamente todos nós nos transformamos em ‘feuerbachianos’.”.[35] Segundo Marx, Feuerbach foi o fundador do “verdadeiro materialismo”.[36]

    Essa ligação entre Feuerbach e Marx é fundamental para o surgimento do Materialismo Histórico, sobretudo porque, como declarou Engels, a doutrina de Feuerbach: “representa um elo intermediário entre a filosofia hegeliana e nossa concepção.”.[37]         

    Poderia, então, haver um elo entre idealismo e materialismo?   

    II.                  Ludwig Feuerbach

     

     

    1. A Importância de Feuerbach

    Segundo Rodolfo Mondolfo, “para compreender bem a Marx é necessário, pois, ter compreendido corretamente a Feuerbach.”.[38] André Piettre, simplificando um pouco, afirmou: “Hegel genuit Feuerbach que genuit Marx.”.[39] Robert Tucker foi mais longe, e afirmou que “a influência sobre o desenvolvimento do pensamento de Marx, exercida por Feuerbach, foi de importância decisiva, tão importante que o marxismo talvez pudesse ser epitomizado como hegelianismo mediado pela crítica de Feuerbach a Hegel.”.[40]

    A relação entre Feuerbach e Marx, muitas vezes negligenciada e mal compreendida, não é desconhecida. R. Garaudy, militante marxista e Secretário do Partido Comunista Francês, afirmou que a publicação de A Essência do Cristianismo, a grande obra de Feuerbach, foi “o maior acontecimento filosófico desde a morte de Hegel”,[41] causando um efeito prodigioso sobre os jovens hegelianos, e de modo especial sobre Marx e Engels. O próprio pai do marxismo russo, Georgi Valentinovitch Plekhânov, fez algumas observações surpreendentes sobre Feuerbach. Segundo ele, “os leitores atuais não estão preparados para” compreender os escritos de Marx, e uma das razões mais importantes desse despreparo: “é que atualmente se conhece muito mal não só a filosofia hegeliana, sem a qual é difícil assimilar o método de Marx, mas também a história do materialismo, sem a qual não é possível ter uma idéia clara da doutrina de Feuerbach, que foi, em filosofia, o predecessor imediato de Marx, e que forneceu, em considerável medida, a base filosófica da concepção de mundo de Marx e Engels.”.[42]

          É interessante notar a grande importância que marxistas como Mondolfo, Garaudy e mesmo Plekhânov – considerado um marxista radicalmente “anti-romântico[43] – concedem a Feuerbach. De fato, uma coisa é certa: essa ênfase na importância de Feuerbach é autorizada pelos escritos de Marx e Engels.

    Já vimos algumas declarações sobre Feuerbach nos textos de Marx e Engels, mas podemos ainda lembrar outras. Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos (1844), Marx declarou: “Feuerbach é o único que tem para com a dialética hegeliana um comportamento sério, crítico, e [o único] que fez verdadeiras descobertas nesse domínio, [ele é] em geral o verdadeiro triunfador da velha filosofia.”.[44] Nessa mesma obra, há também uma afirmação de Marx que é uma das chaves para se compreender retamente o marxismo. Segundo ele, um dos grandes feitos de Feuerbach foi:

    A fundação do verdadeiro materialismo e da ciência real, na medida em que Feuerbach toma, do mesmo modo, a relação social, a “do homem com o homem”, como princípio fundamental da teoria;[45]

    Para Marx, portanto, Feuerbach é materialista. Sabendo disso, e também que Engels e Marx nunca negaram o caráter materialista da doutrina de Feuerbach[46], vamos analisar esse materialismo e verificar porque motivo ele é considerado um elo entre o idealismo hegeliano e o materialismo marxista.             

    2. A Essência do Cristianismo (1841)

     

    Feuerbach, certamente por influência de Marx e Engels, passou para a posteridade como um materialista ateu. É por isso podemos ler numa história da literatura alemã: “nas suas obras A Essência do Cristianismo e A Essência da Religião deu um passo que já não tem nada que ver com o hegelianismo, tornando-se materialista. Foi, na teologia ou antiteologia, ateu decidido como poucos outros.”.[47] André Piettre, explicando a influência de Feuerbach sobre Marx, afirmou que: “Ludwig Feuerbach, desembaraçou a filosofia do mestre (Hegel) de sua fantasmagoria idealista; de panteísta a fez atéia.”.[48] O próprio Lênin, estudando a vida de Marx, declarou: “A partir sobretudo de 1836, Ludwig Feuerbach começa a criticar a teologia e a orientar-se para o materialismo, a que, em 1841, adere completamente (A Essência do Cristianismo);”.[49]

    As referências a Feuerbach são na maioria das vezes desse tipo. Todavia, aqueles que se atenham aos sentidos vulgares das palavras ateísmo e materialismo, terão algumas surpresas ao analisarem a doutrina de Feuerbach.

    A obra magna de Feuerbach, A Essência do Cristianismo, tem como ponto central a teoria da alienação religiosa. As explicações correntes dessa teoria seguem o seguinte caminho: segundo Feuerbach, Deus seria uma invenção do homem; o homem teria exteriorizado suas qualidades criando um ser distinto dele; negando-se e alienando-se o homem teria acabado por adorar sua própria invenção. Engels, ao comentar a “ação libertadora” dessa tese, disse: “nada existe fora da natureza e dos homens; e os entes superiores, criados por nossa imaginação religiosa, nada mais são que outros tantos reflexos fantásticos de nossa própria essência.”.[50] Evidentemente, as palavras de Engels parecem autorizar as explicações correntes das quais falamos. Entretanto, Engels – estranhamente – esqueceu de explicitar o sentido mais profundo dessa teoria que ele e Marx receberam tão entusiasticamente.

    Segundo Feuerbach, no processo histórico o “homem começa por lançar a sua essência para fora de si, antes de a encontrar em si. A sua própria essência começa por ser para ele objeto como uma essência diferente.”.[51] Essa ação de “lançar a essência fora de si”, segundo Feuerbach, é o ato religioso, pois: “Na religião, o homem tem como objeto a sua própria essência, sem saber que ela é a sua; a sua própria essência é para ele objeto como uma essência diferente. A religião é a cisão do homem consigo: ele põe Deus face a si como um ser que lhe é oposto. Deus não é o que o homem é – o homem não é o que Deus é. ”.[52]

    Para Feuerbach, portanto, o ato religioso visa à própria essência do homem. O Deus da religião é na verdade a própria essência do homem vista como distinta dele por ele mesmo. Ora, essa “cisão”, que faz com que Deus seja apenas a essência do homem exteriorizada, não é, absolutamente, a negação da existência de Deus, mas a divinização do homem.

    De acordo com Feuerbach: “A cisão só se dá entre seres que estão desunidos, mas que devem ser um só, que podem ser um só e que, por conseqüência, na essência, na verdade, são um só.”.[53] Segundo essa doutrina, o ato religioso não erra por imaginar uma divindade inexistente, mas por separar, por distinguir essa divindade do homem! Feuerbach não titubeia em declarar:

    A nossa tarefa é justamente mostrar que a oposição do divino e do humano é inteiramente ilusória”.[54]

    Na Introdução dessa mesma obra, sob o título A essência do homem em geral, Feuerbach chega à conclusão de que a verdadeira essência do homem é: “A razão, a vontade, o coração”; pois para ele: “Um verdadeiro ser é um ser que pensa, ama e quer. Verdadeiro, perfeito, divino é apenas o que existe em função de si. E tal é o amor, tal a razão, tal a vontade. A trindade divina  no homem, acima do homem individual, é a unidade de razão, amor e vontade.[55]

    Em sua obra Princípios da Filosofia do Futuro, Feuerbach afirma: “Mas, se Deus é unicamente um objeto do homem, que é que se nos revela na essência de Deus? Nada mais do que a essência do homem. Aquele para quem o ser supremo é objeto é ele próprio o ser supremo.”.[56] Para Feuerbach, na religião o homem busca sua própria essência, isto é, a divindade, mas sem saber que ela é sua, pois: “Na religião, o homem objetiva a sua própria essência secreta.”.[57] Para ele, portanto, a essência secreta do homem é a divindade.

    Evidentemente, quem quer que conheça – ainda que sumariamente – a teologia hegeliana, não se espantaria com tais afirmações, visto que são feitas por um hegeliano. Todavia, esse homem é muitas vezes tido por ateu e materialista, o que nos força a explicitar um pouco mais esse estranho “ateísmo”.

    Feuerbach afirma que o que distingue o homem do animal é a consciência. Contudo, para ele: “Consciência em sentido estrito ou próprio e consciência do infinito é o mesmo. Consciência limitada não é consciência; a consciência é, por essência, de natureza infinita.”.[58] Continua ainda Feuerbach: “Por conseqüência, se pensas o infinito, pensas e confirmas a infinitude da faculdade de pensar; se sentes o infinito, sentes e confirmas a infinitude da faculdade de sentir.”.[59]

    É evidente, portanto, que a Consciência para Feuerbach é infinita, divina. Essa doutrina fica ainda mais explicita quando ele trata do sentimento humano. Segundo ele: “se o sentimento é o órgão essencial da religião, a essência de Deus nada mais exprime do que a essência do sentimento. O sentido verdadeiro, mas oculto, da frase ‘o sentimento é o órgão do divino’ é o de que ‘o sentimento é o mais nobre, o mais excelente, isto é, o divino, no humano’. Como poderias perceber o divino através do sentimento, se o sentimento não fosse ele mesmo de natureza divina? O divino só é reconhecido pelo divino, Deus apenas por ele mesmo.”.[60] É ainda tratando do sentimento humano que Feuerbach explica seu ateísmo: “Deus é o sentimento puro, ilimitado, livre. Qualquer outro Deus que ponhas aqui é um Deus imposto de fora ao teu sentimento. O sentimento é ateu na acepção da fé ortodoxa, segundo a qual a fé se liga a um objeto exterior. O sentimento nega um Deus objetivo – é para si mesmo Deus.”.[61]

     Feuerbach, por tanto, literalmente divinizou o homem. Mesmo um marxista ortodoxo como A. S. Vázquez, analisando sua obra, teve que concluir: “O lugar de Deus passa então a pertencer inteiramente ao homem, e com isso a própria história muda de maneira decisiva. Não há outro ser absoluto e divino senão o próprio homem.”.[62] Desse modo, Wackenheim pode constatar:

    La ambición de Feuerbach es suprimir esta distancia [entre Deus e o homem], substituyendo la teología por la antropología. No busca destruir la religión o lo sagrado, sino transformar lo sagrado y fundar una nueva religión, la religión de la humanidad. Feuerbach la denomina ‘antropoteísmo’.”.[63]

    Toda essa doutrina encontra-se em A Essência do Cristianismo (1841), que para Marx, Engels, Plekhãnov, Lênin, entre outros, é uma obra materialista!

    Claro está, mas é preciso enfatizar que esse materialismo não se distingue, absolutamente, de uma religião gnóstica.

    3. O Fundamento do Materialismo Histórico

    Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos (escritos em agosto de 1844), Marx explica claramente qual foi o papel de Feuerbach no desenvolvimento de sua teoria econômica. De acordo com ele:

    A crítica da economia nacional deve, além do mais, assim como a crítica positiva em geral, sua verdadeira fundamentação às descobertas de Feuerbach. De Feuerbach data, em primeiro lugar, a crítica positiva humanista e naturalista. Quanto menos ruidosa, tanto mais segura, profunda, extensa e duradoura é a eficácia dos escritos feuerbachianos, os únicos nos quais – desde a fenomenologia e a Lógica, de Hegel – se encerra uma efetiva revolução teórica.”.[64]

    Mas o que é, exatamente, essa crítica humanista naturalista? O próprio Marx nos explica:

    Vemos aqui como o naturalismo realizado, ou humanismo, se diferencia tanto do idealismo quanto do materialismo e é, a um só tempo, a verdade unificadora de um e de outro. Vemos igualmente como só o naturalismo é capaz de compreender o ato da história universal (Weltgeschichte).[65]   

    Podemos concluir, portanto, que a visão marxista da história universal, isto é, o Materialismo Histórico, é o fruto da fusão das cosmovisões idealista (gnóstica) e materialista (panteísta).

    Esse nos parece o ponto nevrálgico da contenda entre o partido do Jovem Marx e partido do Velho Marx. Ambos os lados não percebem, ou não querem perceber, que essa fusão foi o grande feito de Karl Marx. Em todo caso, essa fusão esclarece muitos problemas. Torna-se compreensível porque Marx, apesar de suas críticas ao sistema de Hegel, permanece discípulo do grande filósofo idealista. Fica claro, também, o motivo pelo qual, mesmo depois de ter apoiado as críticas de Feuerbach contra Hegel, Marx afirmou:

    Comparado a Hegel, Feuerbach é muito pobre, mas ainda marcou época depois de Hegel, porque deu ênfase a certos pontos que eram desagradáveis para a consciência cristã, porém importantes para o progresso da crítica, e que Hegel deixara em semi-obscuridade mística.”.[66]

    Como bem notou um especialista, Feuerbach foi “o impulsor do movimento de pensamento, do hegelianismo para o Marxismo. Paradoxalmente, ele ‘curou’ Marx de seu hegelianismo, dando-lhe uma dose cavalar da doença.[67]

    Temos um fato: Marx baseou-se na dialética idealista hegeliana e no antropoteísmo de Feuerbach para construir sua doutrina do Materialismo Histórico. Segundo August Cornu, adaptando “la doctrina de Feuerbach a la economía política, haciendo un paralelo entre la enajenación material realizada en el dinero y la enajenación espiritual realizada en Dios, demostraba que el carácter inhumano de la sociedad provenía de que bajo el régimen de la propiedad privada el hombre enajenaba necesariamente su substancia en el producto de su trabajo, que lo esclaviza tomando la forma de capital.”.[68] E concluí: “Se ve cómo, inspirándose a la vez en la dialéctica hegeliana y en la doctrina de Feuerbach, Marx establecería su concepción de materialismo histórico y su doctrina comunista.”.[69]    

    São esses, portanto, os elementos que formam a base filosófica e religiosa do Materialismo Histórico.[70]

    III. Marxismo: Público e Esotérico

     

    "O voi ch'avette li 'ntelletti sani,
    mirate la dottrina che s'asconde
    sotto 'l velame delli versi strani
    "

    [“Ó vós que tendes inteligência sadia,
    atentai à doutrina que se esconde
    sob o véu dos versos estranhos"].

    (Dante, Inferno, IX, 61-63).

     

    1. O Anão Corcunda

     

    As pessoas muitas vezes enganam-se acreditando que a simples publicação de obras filosóficas ou literárias é o suficiente para que todos possam conhecê-las e entendê-las. Entretanto, as coisas são mais complexas do que julgamos. Na Divina Comédia, sob o véu de versos estranhos escondia-se uma doutrina. A obra era pública, mas a doutrina era secreta. Por incrível que pareça, isso não é impossível.

    Esse mesmo problema nos vem à mente quando estudamos os escritos de Marx e as origens de sua ideologia. Isso não acontece apenas conosco, mas com muitos daqueles que estudam o marxismo.

    Walter Benjamin, analisando o marxismo, encontrou uma forma muito inteligente de explicá-lo. Para fazê-lo, aproveitou-se de um conto de Edgar Allan Poe, intitulado O Jogador de Xadrez de Maelzel. Nesse conto, contemporâneo de Marx (1838), Poe investiga o caso do boneco (Autômato) jogador de xadrez:

    Nenhuma exibição do mesmo gênero terá talvez jamais excitado tanto a atenção pública como o jogador de Xadrez de Maelzel.”.[71]

    Era realmente espetacular ver um boneco que podia jogar xadrez de modo admirável e ganhar a maioria das partidas que disputava. Havia, porém, uma fervorosa discussão entre aqueles que viam as apresentações do Autômato: como é possível, perguntavam-se, um boneco jogar xadrez? Era difícil entender, mas Maelzel fazia o possível para “sugerir aos espectadores a idéia falsa de que no Autômato apenas existia um puro mecanismo.”.[72] Aliás, continua o autor: “A opinião mais generalizada, opinião demasiadas vezes adotada por pessoas cuja inteligência prometia melhor, foi, como já dissemos, a de que a ação humana nada tinha a ver com aquilo, que a máquina era uma pura máquina, e nada mais.”.[73] Entretanto, como nos descobre o autor: “É absolutamente certo que as operações do Autômato são reguladas pelo espírito, e não por outra coisa.”.[74] Depois de uma longa análise, Poe termina por concluir que havia um anão, ótimo enxadrista, que de dentro do Autômato efetuava as jogada e ganhava as partidas.

    Valendo-se dessa idéia, Walter Benjamin, em uma de suas teses sobre o conceito de história, nos dá uma explicação muito curiosa do Materialismo Histórico:

    Como se sabe, deve ter havido um autômato, construído de tal maneira que, a cada jogada de um enxadrista, ele respondia com uma contrajogada que lhe assegurava a vitória da partida. Diante do tabuleiro, que repousava sobre uma ampla mesa, sentava-se um boneco em trajes turcos, com um narguilé à boca. Um sistema de espelhos despertava a ilusão de que essa mesa de todos os lados era transparente. Na verdade, um anão corcunda, mestre no jogo de xadrez, estava sentado dentro dela e conduzia, por fios, a mão do boneco. Pode-se imaginar na filosofia uma contrapartida dessa aparelhagem. O boneco chamado “materialismo histórico” deve ganhar sempre. Ele pode medir-se, sem mais, com qualquer adversário, desde que tome a seu serviço a teologia, que, hoje, sabidamente, é pequena e feia e que, de toda maneira, não deve se deixar ver.”.[75]

    Com essa imagem, Walter Benjamin mostra claramente que a alma do Materialismo Histórico é a teologia. O Materialismo Histórico seria apenas um boneco incapaz sem o poder e a capacidade de atração da teologia. Evidentemente, a explicação de Walter Benjamin confirma o que descrevemos em nosso artigo, isto é, que o materialismo de Feuerbach e Marx tem por fundamento uma religião. Os termos ‘materialismo’ e ‘ateísmo’ em suas obras possuem um sentido oculto, bem distinto daqueles com os quais estamos acostumados. Aliás, muitas vezes têm um sentido oposto ao significado primeiro dessas palavras. Como nos lembra Robert Tucker:

    Os extremistas entre os Jovens Hegelianos, inclusive Marx, proclamavam o ‘ateísmo’ como lema do movimento. Para eles, entretanto, tal palavra possuía uma significação muito especial, querendo dizer o reconhecimento do homem como divindade única. O ‘ateísmo’ era um modo belicoso de afirmar que ‘Deus é o homem’. Marx formulou tal posição no prefácio de sua tese de doutoramento: “A filosofia não faz segredo disso. A confissão de Prometeu – em uma palavra, odeio todos os deuses – é sua própria confissão, sua própria sentença contra todos os deuses celestes e terrestres que se recusam a reconhecer a autoconsciência humana como a divindade suprema, ao lado da qual nenhuma outra será afirmada.”.[76]

    Esse modo estranho de utilização dos termos causa, realmente, muitos enganos, como nota Erich Fromm:

    Una de las ironías peculiares de la historia es que no haya límites para el malentendimiento y la deformación de las teorías, aun en una época donde hay accesso ilimitado a las fuentes; no hay un ejemplo más definitivo de este fenómeno que lo que ha sucedido con la teoría de Kart Marx en las últimas décadas. (…) Entre los malentedimientos que circulan no hay quizás otro más difundido que la idea del ‘materialismo’ de Marx. Se supone que Marx creía que la principal motivación psicológica del hombre es su deseo de ganancias y de bienestar económico y que su busca de las utilidades máximas constituye el principal incentivo de su vida personal e de la vida de la especie humana. Como complemento de esta idea existe el supuesto, igualmente difundido, que Marx descuidó la importancia del individuo; de que no tenía respecto ni comprensión por las necesidades espirituales del hombre y que su ‘ideal’ era la persona bien alimentada y bien vestida pero ‘sin alma’.   (…) Basta decir, por ahora que esta imagen popularizada del ‘materialismo’ de Marx – su tendencia antiespiritualista, su deseo de uniformidade e subordinación – es totalmente falsa.”.[77]

    Engels, que sempre buscou ser mais explicito, procurou deixar claro o verdadeiro sentido do termo ‘materialismo’ no pensamento de Marx. Segundo ele, o materialismo é “una concepción general del mundo basada en una interpretación determinada de las relaciones entre el espíritu y la materia”.[78] O próprio Feuerbach teve que esclarecer o verdadeiro sentido do termo ‘ateímo’ em sua obra:

    considere-se que o ateísmo – pelo menos na acepção desse livro – é o próprio segredo da religião (...) na sua verdadeira essência, em mais nada crê senão na verdade e divindade da essência humana”.[79]

    No Marxismo, portanto, por trás da terminologia materialista e racionalista esconde-se uma religião irracionalista. Por trás da marionete encontra-se o anão corcunda que é a alma do boneco.   

    2. A Secularização da Teologia Idealista

     

    A mensagem eletrizante que [Marx] descobriu em Hegel foi a idéia de que o homem é Deus. O hegelianismo era a ‘filosofia’ cuja própria confissão era a de Prometeu. Sua importância, marcante de uma época, estava na revelação da ‘autoconsciência humana’ como divindade suprema, ao lado da qual nenhuma outra se podia sustentar. Marx ficou tão empolgado com tal idéia que defendeu entre seus amigos Jovens Hegelianos em Berlim a argumentação de que o próprio Hegel devia ser tomado como um ‘ateu’ no sentido por eles dado ao termo.”.[80]

    O problema da terminologia está ligado à secularização da teologia idealista. Devido a uma questão prática, como mostra Engels em Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã, certos pensadores viram-se forçados a esconderem a teologia sob formas profanas. Como bem notou Herbert Marcuse:

    Feuerbach parte do fracasso de Kierkegaard no reconhecimento de que, naquela época, o conteúdo humano da religião só podia ser preservado pelo abandono das formas religiosas, sobrenaturais.”.

    A secularização, no sentido empregado por esses autores, é a ocultação da teologia que informa seus sistemas. Por isso, Eric Fromm pôde concluir: “El fin de Marx, el socialismo, basado en su teoria del hombre es esencialmente un mesianismo profético en el lenguaje del siglo XIX.”.[81]Dessa mesma posição é Walter Benjamin:

    Marx secularizou a representação do tempo messiânico na representação da sociedade sem classes. E estava bem assim.”.[82]

    Para Walter Benjamin, “a secularização é ao mesmo tempo legítima e necessária – desde que a energia subversiva do messiânico continue presente, mesmo que seja no estado de força oculta (como a teologia no jogador de xadrez materialista).”.[83] Essa secularização exige um sistema ideológico construído com uma terminologia não religiosa, mas que mantém oculta, sob o véu da terminologia materialista, uma teologia messiânica.                     

    Este fenômeno da secularização não é novo na história da filosofia, de acordo com Eric Fromm:

    La principal corriente de pensamiento mesiánico no se expresó, sin embargo, después de la Reforma, en el pensamiento religioso, sino en el pensamiento filosófico, histórico y social. Se expresó, un poco indirectamente en las grandes utopías del Renacimiento, en las cual el mundo nuevo no está en un futuro distante, sino en un lugar distante. Se expresó en el pensamiento de los filósofos de la Ilustración y de las Revoluciones Francesa e Inglesa. Encontró sú última e más completa expresión en el concepto del socialismo de Marx.”.[84]

    A secularização, no sentido indicado por Walter Benjamin, foi o mecanismo utilizado por Marx para a criação de um sistema de interpretação do mundo aparentemente materialista, mas fundamentalmente religioso.   

    Conclusão

     

    De onde provém o impulso revolucionário do marxismo?

    Engels, em um de seus primeiros artigos, nos faz a seguinte observação: “Até aqui a pergunta sempre foi – o que é Deus? – Pois a filosofia alemã a respondeu da seguinte forma: Deus é o homem.”.[85] E ele não para por aí. Tendo “apreendido esta verdade, continuava ele, o homem deve agora ‘arrumar o mundo de um modo verdadeiramente humano, conforme as exigências de sua natureza – e assim o enigma de nosso tempo foi decifrado por ele [Hegel]’. Os jovens hegelianos encontraram no hegelianismo um evangelho revolucionário da apoteose do homem.”.[86]

    Marx herdou do idealismo a revolta contra o mundo. Esse espírito de revolta, numa personalidade como a de Karl Marx, exigia a ação como meio de realização de sua ideologia. Marx, não era como a maioria dos grandes filósofos idealistas, que tinham como ação particular a divulgação de seus princípios. Ele, pelo contrário, queria um modo prático de aplicar esses princípios à realidade e transformá-la. Ele desejava fazer a uma revolução. É isso o que ele mesmo afirma em sua XI tese sobre Feuerbach:

    Os filósofos só interpretaram o mundo de diferentes maneiras; trata-se agora de transformá-lo.”.

    Evidentemente, a teologia gnóstica que dava forma a mentalidade de Marx, era – como na época de Walter Benjamin – muito feia, e não poderia ser apresentada como fundamento para a Revolução Mundial, pelo menos não para todas as pessoas. Diante desse problema, Marx, caráter extremamente ativo e pragmático, formulou um sistema aparentemente materialista e racionalista, que serviria tanto para atrair as pessoas que compartilhavam desse espírito como aqueles espíritos religiosos que desejavam combater a verdadeira religião. Surge, assim, o Materialismo Histórico, sistema ambíguo e obscuro, que por um lado atrai os mais capazes para seus princípios idealistas e, ao mesmo tempo, induz à criação de uma caricatura simplificada e grosseira de si mesmo, que serve para vulgarização e condução das massas.

    É desse modo que surgem o jovem e o velho Marx. Porém, há apenas um único Marx, que congrega em si as duas tendências, tanto a materialista mai vulgar, quanto a teológica, sedo essa última a mais profunda e o fundamento da primeira.                        

                                                                                                      


    [1] L. Feuerbach. A Essência do Cristianismo. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 427    

    [2] Cf. C. Wackenheim. La quiebra de la religión según Karl Marx. Barcelona, Ediciones Península, 1973, p. 86

    [3] Idem

    [4] K. Marx e F. Engels. Textos. vol. II, São Paulo, Edições Sociais, 1976, pp. 15-16 (o negrito é nosso).

    [5] M. Löwy. Romantismo e Messianismo. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1990, p. 17

    [6] Idem (o negrito é nosso) 

    [7] Idem (o negrito é nosso)

    [8] E. Fromm. Marx y su concepto del hombre. 15a. ed., México, Fondo de Cultura Económica, 1998, p. 89 

    [9] H. Lefbvre. Para compreender o pensamento de Karl Marx. 2ª. ed., Lisboa, Edições 70, 1975, pp. 25-26    

    [10] I. Berlin. Karl Marx. São Paulo, Ed. Siciliano, 1991, p. 38

    [11] D. MacLellan. Karl Marx, vida e pensamento. Rio de Janeiro, Ed. Vozes (Petrópolis), 1990, p. 19 

    [12] Idem

    [13] Cf. D. MacLellan. op. cit. e C. Wackenheim. La quiebra de la religión según Karl Marx. Barcelona, Ediciones Península, 1973, p. 45

    [14] Marx iniciou seu curso de Direito em Bonn com grande entusiasmo, entretanto, acabou entrando para o Trier Tavern Club, no qual a principal ocupação era beber. No começo, todavia, Marx assistiu aulas de direito e principalmente às populares aulas de literatura dadas por August W. Schlegel (Cf. D. MacLellan. op. cit. p. 29-30).           

    [15] I. Berlin. op. cit. p. 45

    [16] D. MacLellan. op. cit. p. 40

    [17] Idem, p. 44

    [18] D. MacLellan. op. cit. p. 109

    [19] A. S. Vázquez. Filosofia da Praxis. Rio de Janeiro, Ed. Paz e Terra, 1968, pp. 61-60

    [20] Cf. A. S. Vázquez. op. cit. pp. 59-60   

    [21] K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. vol. 3. Rio de Janeiro, Editorial Vitória Limitada, 1963, p. 176 (o negrito é nosso)

    [22] C. Wackenheim. op. cit. p. 66

    [23] Segundo Hegel: “A natureza é a idéia absoluta, na forma de alteridade (...) O vir-a-ser da natureza é um vir-a-ser na direção do espírito” (R. Corbisier. Hegel: textos escolhidos. Rio de Janeiro, civilização Brasileira, 1981, p. 62); Cf. C. Wackenheim. op. cit. p. 73. É interessante notar como há um paralelo perfeito entre o Deus de Eckhart e a Idéia de Hegel, como nota Foulqué: “Esta Idéia, como o Deus de Eckhart, é em si mesma pura indeterminação: só se determina exteriorizando-se na natureza.” (Cf. Paul Foulquié. A Dialética. Portugal, Publicações Europa-América, 1978, p. 48).   

    [24] Paul Foulquié. op. cit. p. 49 (o negrito é nosso)

    [25] Hegel, na Ciência da Lógica, declara: “A negatividade ... é a fonte interna de toda atividade, de todo movimento espontâneo, vivo e espiritual, a alma dialética ...” (R. Corbisier. op. cit. p. 61).

    [26] R. Corbisier. op. cit. p. 99

    [27] Idem, p. 172

    [28] Idem, p. 172

    [29] C. Wackenheim. op. cit. p. 68 (o negrito é nosso)

    [30] Idem, pp. 66-71

    [31] Sobre essa questão McLellan faz uma observação importante: “Era muito natural que a discussão dos Jovens Hegelianos fosse primeiramente teológica: a maioria dos membros da escola hegeliana estavam interessados sobretudo na religião; e a atitude do governo prussiano tornava a política um assunto extremamente perigoso para debate. Levando em conta porém a instituição da Igreja na Alemanha e a ligação íntima entre religião e política, era inevitável que um movimento de crítica religiosa rapidamente se secularizasse numa crítica de oposição política” (D. MacLellan. op. cit. p. 44). O próprio Engels declarou que essa luta religiosa era “indiretamente uma luta política” (K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. op. cit. p. 176).

    [32] K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. op. cit. p. 176 (o negrito é nosso)

    [33] Idem, p. 177

    [34] Idem (o negrito é nosso)

    [35] Idem (o negrito é nosso)

    [36] K. Marx. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo, Boitempo Editorial, 2004, p. 118

    [37] K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. op. cit. p. 169 (o negrito é nosso)

    [38] R. Mondolfo. Marx y Marxismo: estudios histórico-críticos. 4ª. ed., México, Ed. Fondo de Cultura Económica, 1986, p. 16 

    [39] A. Piettre. Marxismo. 2ª ed., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1963, p. 37

    [40] R. C. Tucker. Karl Marx: Filosofia e Mito. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1963, p. 88    

    [41] R. Garaudy. op. cit. p. 22

    [42] G. V. Plekhânov. Os princípios Fundamentais do Marxismo. São Paulo, Ed. Hucitec, 1978, p. 10 (o negrito é nosso)

    [43] Segundo M. Löwy: “É na luta contra o populismo russo que vai nascer, com G. V. Plekhânov, um marxismo radicalmente anti-romântico, iluminista, evolucionista e bastante admirador do progresso capitalista-industrial.” (M. Löwy. op. cit. p. 23)   

    [44] K. Marx. Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo, Boitempo Editorial, 2004, p. 117 

    [45] Idem, p. 118

    [46] Cf. G. V. Plekhânov. op. cit. pp. 10-11. Note-se ainda que, mesmo nas Teses a Feuerbach, escritas em fins de 1845, Marx continuava considerando Feuerbach materialista; e Engels, já em 1886, afirmava que Feuerbach partia de uma interpretação “substancialmente materialista da natureza” (Cf. F. Engels. Ludwig Feuerbach e o finda filosofia clássica alemã. – In: K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. vol. 3. Rio de Janeiro, Editorial Vitória Limitada, 1963, p. 188).        

    [47] O. M. Carpeaux. A Literatura Alemã. São Paulo, Editora Cultrix, 1964, p. 127   

    [48] A. Piettre. Marxismo. op. cit. p. 37

    [49] V. I. Ulianov (Lênin). Karl Marx (Breve nota biográfica com uma exposição do marxismo). São Paulo, Editora Socialista LTDA, 1983. p. 9 

    [50] F. Engels. Ludwig Feuerbach e o finda filosofia clássica alemã. op. cit. p. 177

    [51] L. Feuerbach. A Essência do Cristianismo. op. cit. p. 23

    [52] Idem. op. cit. p. 41

    [53] Idem. op. cit. p. 42 (o negrito é nosso)

    [54] Idem. op. cit. p. 24 (o negrito é nosso)

    [55] É interessante notar que o sentido do termo razão – assim como muitos outros termos para Feuerbach – possui um sentido distinto do comum; logo depois de identificar a razão com um dos itens dessa tal trindade divina, ele faz questão de usar e explicitar outro sentido: “Razão (nas suas formas sensíveis: imaginação, fantasia, representação, opinião)” (Idem. op. cit. pp. 11-12 (o negrito é nosso). 

    [56] L. Feuerbach. Princípios de Filosofia do Futuro. Lisboa, Edições 70, 1988, p. 43 (o negrito é nosso)     

    [57] L. Feuerbach. A Essência do Cristianismo. op. cit. p. 41

    [58] L. Feuerbach. op. cit. p. 10 ( o negrito é nosso). 

    [59] L. Feuerbach. op. cit. p. 18

    [60] L. Feuerbach. op. cit. p. 19 

    [61] L. Feuerbach. op. cit. p. 20

    [62] A. S. Vázquez. Filosofia da Praxis. op. cit. p. 101 (o negrito é nosso)

    [63] Charles Wackenheim. La quiebra de la religión según Karl Marx. Barcelona, Ediciones Península, 1973, p. 123 (o negrito e sublinhado são nossos). 

    [64] K. Marx. Manuscritos Econômico-Filosóficos. op. cit. p. 20.

    [65] K. Marx. op. cit. p. 127   

    [66] Robert Tucker. Karl Marx: filosofia e mito. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1963, p. 106

    [67] Robert Tucker. op. cit. p. 105 

    [68] August Cornu. Karl Marx: el hombre y la obra. México : Editorial America Donceles, 1938, p. 221

    [69] August Cornu. op. cit. p. 188. (o negrito é nosso)    

    [70] Evidentemente, há muitas outras fontes que, por serem mais remotas, não fizemos menção aqui, como é o caso de Baruc Espinosa e Jacob Böhme, entre outros. Uma obra interessante, mas não muito clara, para compreendermos a relação entre o marxismo e o espinosismo é Os Princípios Fundamentais do Marxismo, de G. Plakhânov. A ligação com a doutrina de Jacob Böhme fica evidente em A Essência do Cristianismo, de L. Feuerbach. Entretanto, por serem livros escritos por ideólogos do idealismo e do marxismo, são obras de difícil leitura e obscura para quem não tenha algum conhecimento sobre o Idealismo Alemão.        

    [71] Edgar Allan Poe. Histórias Extraordinárias. São Paulo: Ed. Abril Cultura, 1978, p. 401 

    [72] Idem. op. cit. p. 410

    [73] Idem. op. cit. p. 411

    [74] Idem. op. cit. p. 406

    [75] Michael Löwy. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. São Paulo: Ed Boitempo. 2005, p. 14   

    [76] Robert Tucker. op. cit. p. 80                

    [77] Erich Fromm. op. cit. pp 13 -15 (o negrito é nosso).

    [78] F. Engels. Ludwig Feuerbach e o finda filosofia clássica alemã. – In: K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. vol. 3. Rio de Janeiro, Editorial Vitória Limitada, 1963.

    [79] L. Feuerbach. op. cit. p. 427

    [80] Robert Tucker. op. cit. p. 81-82 (o negrito é nosso).

    [81] Erich Fromm. op. cit. pp 17

    [82] M. Löwy. op. cit. p. 136

    [83] M. Löwy. op. cit. p. 135

    [84] Erich Fromm. op. cit. p. 76 (o negrito é nosso).

    [85] Robert Tucker. op. cit. p. 79

    [86] Idem, Ibidem.


        Para citar este texto:

    "O Ateísmo Religioso de Karl Marx"
    MONTFORT Associação Cultural
    http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/ateismo_religioso_km/
    Online, 19/03/2020 às 12:06:04h
  • O ateísmo militante  

    Ateísmo militante! Expressão nova a designar uma realidade também nova.

    Como fato individual, a negação de Deus é quase tão antiga como a humanidade. Conhecemos os ateus que se abotoam, tristonhos e silenciosos, na solidão de seu deserto interior; conhecemos também os inquietos que se atiram às aventuras de um proselitismo sem glória. Casos isolados, que se multiplicam com freqüência nas civilizações em decomposição.

    Como fato social, o ateísmo é um fenômeno inédito na vida da humanidade. A etnografia e a história não conhecem povos sem religião. A observação do velho PLUTARCO encontrou nos estudos mais recentes e mais completos uma confirmação definitiva. “O ateísmo não existe em parte alguma, senão em estado errático”, afirma Quatrefaces.

    Com o advento do comunismo que, a todo transe, pretende traduzir em realidade social o materialismo dialético de Marx, a irreligiosidade passa a ser o ideal de uma nova civilização, e o combate à divindade, a condição preliminar de seu triunfo na história. Sem extirpar das consciências a crença em Deus e tudo o que ela representa para a grandeza, a paz e a esperança das almas, a humanidade não atingirá a meta de sua evolução na conquista da felicidade. Um ateísmo militante identifica-se assim com o próprio esforço de libertação salvadora. Acenar aos homens com um novo estilo de civilização em que Deus é o grande inimigo e, para levar a termo esta transmutação radical de valores, mobilizar, num titanismo sem escrúpulos, todos os ressentimentos históricos e toda a avidez de paixões violentas, eis a tragédia do comunismo.

    Um estudo da gênese ideológica do marxismo porá em evidência estas correlações internas e essenciais, que fazem do combate à própria noção da divindade a pedra angular da implantação e conservação do comunismo soviético.

    I

    Nos dez anos que precederam o Manifesto Comunista de 1848, formou-se e amadureceu, nas suas linhas mestras, o pensamento de Carlos Marx. Os seus escritos desta época refletem, com as reações pessoais, as influências dominantes que orientam para posições definitivas as primeiras hesitações1. Não se pode compreender o autor do Capital, sem haver analisado a sistematização filosófica, proverbialmente obscura, mas inegavelmente profunda, do pensador da Fenomenologia do Espírito.

    Kant construíra o seu sistema sobre o dualismo do noumenon e do fenômenon, da coisa em si, incognoscível, e da sua manifestação, revestida das formas do espírito. Daí a antimonias entre o conhecimento e a natureza, o finito e o infinito, a liberdade e a necessidade, o possível e o real, que não raro desfechavam em contradições indisfarçáveis. Hegel pretende evitá-los e, para isso, suprime a dualidade entre o conhecimento e o ser, entre o Espírito e a Natureza. Toda a realidade concentra-se na unidade do Espírito, e a oposição entre sujeito e objeto, não passa de uma oposição do Espírito a si mesmo. Os termos, que parecem contraditórios, quando isolados estaticamente, tornam-se inteligíveis quando mergulhados no dinamismo do pensamento. O espírito está sujeito a um vir-a-ser contínuo que se processa em três momentos: o da afirmação inicial, em que ele se conhece, o da negação em que percebe o seu limite, o da reconciliação final em que apreende a unidade substancial destes dois termos. Em outras palavras, o espírito movimenta-se num ritmo ternário de tese, antítese e síntese. A contradição e o conflito é o aguilhão do seu progresso. E este movimento interno do pensamento constitui a dialética.

    Como o espírito é co-extensivo ao ser, todo o racional é real e todo o real é racional. A dialética rege o pensamento como a história. E uma lógica que analisa rigorosamente o espírito não se distingue da metafísica. As diferentes formas do vir-a-ser universal são outras tantas manifestações da única realidade fundamental – o Espírito. Alienando-se de si, como num sono, é Natureza; consciente de si, é Estado; reveste-se de formas sensíveis na Arte, de pensamentos exatos na Filosofia, de representações míticas na Religião.

    Em síntese: uma única realidade, o Espírito, submetida a uma evolução, regida pela necessidade interna de uma dialética em que a luta desempenha um papel primordial: eis a intuição filosófica, que, desenvolvida por Hegel com uma amplitude de proporções, uma coerência de travação interna, uma elevação espiritual “desinteressada”, raras na história da filosofia, se impôs indiscutivelmente ao pensamento alemão com “uma importância de influência que não é possível medir”.

    Ao chegar a Berlim não se subtraiu o jovem Marx a esta fascinação empolgante. Na primavera de 1837, pouco depois de chegar à capital, uma doença obrigou-o a interromper as suas ocupações normais de estudante e ele atirou-se com sofreguidão à vasta enciclopédia hegeliana. “Durante a minha indisposição, escreve ele, li Hegel de princípio a fim e já me havia familiarizado com a maior parte dos seus discípulos. Prendi-me mais solidamente a esta filosofia do dia, da qual pensava libertar-me”. Que terá entendido de Hegel – lido de princípio a fim – esse jovem universitário que mal contava 19 anos? O fato é que o entusiasmo não durou muito e a adesão total ao hegelianismo foi, bem cedo, retirada. Neste novo passo, atuou, decisiva, a influência de Feuerbach.

    A multivalência do pensamento hegeliano alimentou, após a morte do mestre, a divergência dos discípulos. Enquanto os conservadores – a ala direita – timbravam em manter-se fiéis à síntese original – sistema e método – os moços reclamavam ruidosamente o direito de criticá-la e corrigi-la em nome dos seus próprios princípios internos; conservavam o método para demolir o sistema. Novas atitudes políticas – Hegel divinizara o absolutismo do Estado prussiano – e um radicalismo anti-religioso caracterizavam esta ala esquerda, também chamada “o clube dos doutores”, de que faziam parte, entre outros menos expressivos, Bruno Bauer (1809 – 1882), David Strauss (1808 – 1874) e Ludwig Feuerbach (1804 – 1872). Em 1835 Strauss publicava a sua Vida de Jesus e em 1841, Feuerbach lançava a sua Essência do Cristianismo: as duas obras visavam reduzir o cristianismo a uma simples criação da consciência humana.

    Para Feuerbach, o hegelianismo, que na sua dialética, partia do infinito e voltava ao infinito através do finito, não passava de um pseudo-misticismo, uma aplicação dos processos filosóficos a “matéria teológica”. A elevação do pensamento humano à dignidade do Absoluto, constituía uma tentativa de alienação, uma espécie de traição do humano. Era mister reconduzir à solidez da terra firme esta filosofia que se perdia nas nuvens. E Feuerbach atirou-se a um materialismo radical. A realidade única não é o Espírito, senão a Natureza, isto é, a matéria que sentimos. Em vez do monismo do pensamento, o monismo da matéria. Existência real outra coisa não é senão existência material, sensível. “Só o corpo distingue a personalidade real da personalidade imaginária de um fantasma”2.

    Um deus pessoal e transcendente é uma ilusão, criada pelo homem que projeta fora de si os melhores atributos de sua natureza. A Verdade, A Ordem, o Amor, as tendências profundas, as aspirações mais ardentes que se identificam com a nossa espécie e se impõem a cada indivíduo, e o dominam e como que reclamam a sua adoração, nós as personificamos num absoluto transcendente e construímos assim a noção da divindade. Não é, pois, Deus, quem cria o homem, é o homem quem cria a Deus.

    Nele, se reúnem, hipostasiados, todos os predicados essenciais da espécie, todos os valores que lhe parecem úteis e que o simples indivíduo não consegue realizar plenamente na precariedade de sua vida. Deus é assim uma projeção mítica, uma apoteose inconsciente da natureza humana.

    Mas este transfert para um sujeito pessoal dos predicados impessoais da espécie não constitui só uma mistificação enganosa senão ainda funesta. Criamos a Deus, como uma ficção, mas criamo-lo alienando de nós o que em nós há-de-melhor. Despoja-se assim o homem da sua própria natureza, desvaloriza-se. Em vez de conservar e pôr a serviço de si e da sociedade a sua inteligência e vontade, orienta-as para um além quimérico onde a sua imaginação mítica projetou uma ficção. A religião é, portanto, a grande inimiga do homem. Por ela explica-se esta alienação, pela qual a humanidade se torna como que estranha (= alheia) a si mesma, desumanizada, incapaz de realizar a plenitude do “ser para si”. Combater a religião é reintegrar o homem em si mesmo. Uma preocupação humanitária sobredoira assim a hostilidade anti-religiosa.

    Em resumo. Um materialismo radical, inimigo de toda metafísica, que desconhece os valores do espírito e não vê na realidade humana senão matéria; um ateísmo intolerante, para o qual Deus é um mito malfazejo, e a religião, uma ilusão fatal à humanidade e responsável pela alienação que lhe frusta a atuação de suas melhores virtualidades; um humanismo estreito, sem Deus e sem alma, em que a humanidade, fechada num terrenismo absoluto, plenamente bastante a si mesma, é a norma última de todos os valores e o fim soberano de todas as atividades.

    Aí estão os outros tantos motivos que serão assimilados por Marx e se encontrarão com variações múltiplas na orquestração definitiva da sua ideologia.

    A obra de Feuerbach foi saudada com entusiasmo pelos jovens hegelianos. É bem conhecida a célebre página de Engels que nos descreve a “ação libertadora”, produzida pelo novo livro. Marx que asfixiava na atmosfera sutil e rarefeita do idealismo hegeliano, deixou-se empolgar pelo “verdadeiro vencedor da filosofia antiga”. “Feuerbach, escreve ele na Sagrada Família, foi o primeiro a completar e criticar Hegel de maneira hegeliana, reduzindo o absoluto do Espírito metafísico à realidade do homem enraizado na natureza”3. Com um trocadilho intraduzível, atira ele aos teólogos e filósofos esta advertência: “Para vós só existe um caminho que conduz à verdade e à liberdade: atravessar o Feuer-Bach. O Feuerbach é o purgatório do nosso tempo4

    Tal o ambiente intelectual que respirou o jovem Marx na fase de assimilação de idéias que precedeu a elaboração de seu sistema definitivo. Hegel e Feuerbach vincaram profundamente o seu espírito. Sem os repetir com servilismo, não conseguiu nunca desvencilhar-se de suas influências orientadoras. A crítica, por vezes desapiedada, feita aos dois mestres, é, não raro, uma confirmação de quanto lhes deve o futuro autor do Capital, que, antes de iniciar as suas análises econômicas, já estava enfeudado a uma sistematização filosófica.

    Com efeito, Marx não se satisfaz inteiramente com Feuerbach como não se contentara com Hegel. O seu materialismo não lhe pareceu bastante radical e coerente. Reflete ainda os preconceitos de uma “metafísica burguesa”. Reagindo contra Hegel, Feuerbach não faz mais que substituir uma noção abstrata por outra: lá a Idéia, aqui a Humanidade. O Espírito hegeliano era uma pura abstração lógica, mas a Espécie feuerbachiana não era menos outra abstração hipostasiada. Num como noutro sistema, esquecia-se a única realidade concreta, o homem que vive em sociedade, a braços com as dificuldades econômicas, criando a história e sendo por ela recriado. Feuerbach esquece esta atividade humana concreta, viva, que se desenrola no tempo e constitui essencialmente o próprio homem. A sua filosofia é ainda puramente “contemplativa”.

    O dinamismo de uma entidade irreal, - eis o que nos propõe Hegel; uma realidade sem dinamismo, eis o que lhe substitui Feuerbach. Ambas estas visões das coisas, parciais e incompletas. Urge integrá-las, eliminando o materialismo passivo pelo materialismo dialético.

    À “contemplação” do homem e da natureza, em atitude estática, alheia a toda evolução histórica, suceda uma visão do mundo essencialmente dialética, onde o homem real age sobre a natureza adaptando-a às suas necessidades.

    Só assim se eliminará a alienação denunciada por Feuerbach, e que não é só religiosa, senão também moral, jurídica, política, numa só palavra, universal. Enquanto todas as realidades e os objetos sensíveis não passarem de pensamentos puros, de formas da consciência, a luta será fácil contra adversários etéreos, que se digladiam no mundo das abstrações. A vitória contra a alienação será ilusória. As condições trágicas da existência nem por isto se modificam. O triunfo só se obterá por uma transformação das condições reais de existência levada a cabo por uma revolução social. O materialismo, cumpre orientá-lo, de um sistema especulativo de metafísica, para uma doutrina prática de ação revolucionária. E a última das Teses sobre Feuerbach, publicadas em 1845, soa já como um clarim de guerra precursor do Manifesto de 1848: “Os filósofos não fizeram senão interpretar o mundo de diversas maneiras; o de que se trata, porém, é de reformá-lo”.

    O marxismo será esta filosofia toda orientada para a praxis; em nenhuma outra, pensamento e ação se fundiram tão indissoluvelmente.

    Seu ponto de partida será o homem, não a idéia abstrata de homem, mas o homem vivo, concreto, imerso na natureza, relacionado com os outros homens. A atividade humana, considerada como um todo, constituirá o primum philosophicum desta nova sistematização, que pretende dar-nos, numa síntese compreensiva, a noção verdadeira do homem, tal qual deve ser, e o caminho prático para libertá-lo das escravidões atuais e reintegrá-lo sem alienações diminuidoras, na plenitude de sua natureza.

    A reflexão exercida sobre a realidade viva apontará as causas de sua desintegração e indicará ao mesmo tempo as condições de sua recuperação. O pensamento traça à ação rumos e normas, a ação assegura ao pensamento eficiência e fecundidade. Filosofia e revolução serão os aspectos indissoluvelmente complementares da nova Praxis.

    Nesta arrancada, Marx, opta, sem discussões nem crítica, pelo materialismo da tumultuosa esquerda hegeliana. O homem é matéria e só matéria. “A História, escreve ele, é uma verdadeira parte da história natural, da transformação da natureza no homem”5. Assim sendo, toda a sua atividade reduz-se a um esforço de adaptação ao meio. Para satisfazer às suas necessidades, o homem age sobre a natureza e a natureza reage sobre o homem. O trabalho e o trabalho produtivo é a atividade essencialmente humana, a chave do grande enigma da natureza e da história, a síntese que liga o homem ao cosmos. Por este esforço da adaptação recíproca os indivíduos vinculam-se ao ambiente e prendem-se uns aos outros. O trabalho define o homem e a estrutura a vida social.

    As relações dele decorrentes, relações puramente econômicas, tecem a trama real da história. Tudo o mais, a nossa vida intelectual, moral e política, não tem nenhum valor próprio, autônomo, nada mais é que reflexo das condições materiais da existência que variam com o tempo; “Em cada época histórica, escreve Engels, no Prefácio ao Manifesto Comunista, a forma dominante de produção econômica e de permuta e a organização social que necessariamente se lhe segue, constitui a base sobre a qual se eleva, e da qual unicamente, na sua explicação, depende, a história política e intelectual desta época”. As idéias não passam de produtos ou subprodutos da estrutura econômica.

    Os grandes pensadores viram sempre, no drama histórico da humanidade, o resultado complexo, não só de fatores físicos, geográficos e econômicos, senão ainda de agentes espirituais, psicológicos, morais e religiosos, que se entrelaçam em tramas complicadas a desafiarem, por vezes, as análises mais esmiuçadoras. O postulado materialista impõe a evicção de todas as energias espirituais. O humano reduz-se ao econômico. O jogo das atividades livres cede o lugar ao determinismo inflexível das leis naturais. Só a ação das forças produtivas constrói e explica a história; é a sua base, a sua estrutura. O moinho de vento criou a civilização feudal, o moinho de vapor, a capitalista. Das condições modernas de produção nasceu o capitalismo, como a escravidão resultou das condições sob as quais foram construídas as pirâmides. A filosofia, a arte, a religião, as instituições jurídicas, políticas e sociais, não passam de superestruturas ideológicas, associações mais ou menos coerentes de idéias abstratas, a espalharem, num mundo irreal, as condições materiais existentes. Falta-lhes um conteúdo de realidade própria. E se por vezes lhes atribuímos uma tal qual autonomia de influência no curso dos acontecimentos, é porque perdemos a consciência de sua origem, esquecidos dos fatores econômicos que lhes deram nascimento. Engels não se cansa de o repetir: é “a necessidade econômica que em última instância sempre prevalece”; que “em última instância condiciona o desenvolvimento histórico”; “por mais influenciadas que pareçam pelas outras condições políticas e ideológicas, não deixam as condições econômicas de ser, em última instância, as condições determinantes”6.

    Esta interpretação materialista da evolução humana, pelo simples jogo das forças da produção, tem uma importância central no marxismo. Nela verá Marx a chave de uma explicação econômica da alienação denunciada por Feuerbach; nela ainda, encontrará o ponto de inserção da dialética hegeliana que progride à força de antagonismos fecundos e conflitos libertadores.

    A alienação, origem da desintegração e diminuição do homem, é um fruto natural do regime econômico em que vivemos. Não só da religião, simples superestrutura ideológica, deriva ela mas, também e principalmente de toda a situação social criada pelo capitalismo. “A alienação religiosa como tal só se processa no domínio da consciência, no foro interior do homem, mas a alienação econômica é a da vida real”. A propriedade privada dos meios de produção é a primeira responsável da grande decadência. A consideração do trabalho como fator único do valor e a teoria mais valia, propostas por Marx, explicam facilmente, a seu ver, esta desumanização progressiva das grandes massas.

    Aplicando as suas forças, intelectuais e manuais, o homem modifica a natureza, dá aos produtos de sua atividade um valor que antes não tinham, e transfere, ao mesmo tempo, ao fruto de seu trabalho algo de si mesmo, de sua inteligência e de suas forças. Para que não fique diminuído ou mutilado, fora mister que todo o valor do produto, unicamente devido ao trabalhador integralmente revertesse. No regime capitalista, ao invés, só lhe toca o salário, isto é, por via de regra, o indispensável para uma subsistência precária, muito abaixo do valor conferido pelo trabalho ao objeto produzido. O mais, esta sobrevalia que vai aumentar o capital, fica definitivamente alienado de sua humanidade empobrecida. O progresso do trabalho, produzindo mais riqueza, não fará senão agravar o mal. Quanto mais trabalhar o assalariado, mais desagregará a sua personalidade. Multiplicando as suas obras, empobrece. Tudo o que de sua vida e de sua substância cristaliza na coisa produzida, cessa de lhe pertencer, aliena-se em proveito de outrem, constitui uma realidade estranha, uma dominação estrangeira que lhe é inimiga. A lei de concentração do capital, sua conseqüência espontânea, importa necessariamente na lei da proletarização crescente das massas. E a alienação, diminuidora do homem, ampliará inelutavelmente a esfera de sua ação nefasta.

    A produção privada é, portanto, a causa primeira desta diminuição, “a expressão material e sensível” da alienação universal. A religião, a família, o Estado, o direito e a moral, a ciência, a arte não passam de reflexos do regime econômico por ela caracterizado. Assim, o que ao socialista francês se afigurava um roubo, na perspectiva marxista aparece como uma expropriação contratual do homem.

    A diagnose do mal aponta-lhe o remédio. E este é único: a supressão total e completa da propriedade privada. Revoluções parciais, simples reformas econômicas, conseguirão apenas um transfert de riquezas. A reintegração definitiva da natureza humana não será uma realidade senão quando se socializarem todos os meios de produção. Só o comunismo, integral e absoluto, libertando o homem de todas as alienações, o restituirá a si mesmo, plenamente livre e independente.

    E para esta emancipação final, marchamos sob o impulso de uma fatalidade inelutável. O discípulo de Hegel, que Marx nunca deixou de ser, aplica à evolução econômica da humanidade o determinismo dialético a que o mestre, com rigoroso ritmo lógico, submetera o desenvolvimento, racional e real, a um tempo, da Idéia. Também aqui o compasso temário de posição, negação e reintegração, cadencia a marcha dos acontecimentos. Num primeiro tempo há uma espécie de organização coletiva do trabalho; cada membro da comunidade consome o que produz – tese. Pouco a pouco, a divisão de tarefas provoca a apropriação e as permutas. Nasce a propriedade privada que, através de mil vicissitudes, avulta até o zênite do capitalismo moderno. Antítese ou negação, que por sua vez provocará a negação da negação ou a síntese final. A propriedade passará das mãos de poucos para a coletividade.

    A luta de classes constitui o âmago deste antagonismo criador de progresso. E o impulso dinâmico que há de acionar e acirrar o movimento revolucionário, dá-lo-á o proletariado, vítima principal da alienação que a todos escraviza. Atirando-se contra a burguesia, numa concentração de forças irresistível, os grandes esbulhados do regime presente construirão amanhã, sobre as ruínas da nossa, outra sociedade, sem classes, em que os dois termos dos contrastes passados se fundirão numa ordem superior, e o homem, finalmente alforriado de todas as sujeições desumanizantes e deprimentes mas passageiras, só se pertencerá a si mesmo.

    Como sistematização de idéias e como programa de ação, o pensamento marxista atingiu a sua maturidade. O Manifesto de 1848 podia ser lançado a todos os quadrantes. Nele os comunistas “declaram abertamente que seus desígnios se não podem realizar senão pela subversão violenta de toda a ordem social. Ante a eventualidade de uma revolução comunista tremam as classes dirigentes! Os proletariados, nada terão a perder senão suas cadeias; e a ganhar um mundo! Operários de todas as nações, uni-vos!”

    Não esquecemos o nosso fito principal. Sem ter, porém, diante dos olhos uma visão panorâmica da ideologia marxista, dificilmente se poderá situar nela o relevo central do ateísmo. O comunismo não é ateu porque ateus, pessoalmente, foram Marx, Lenin e Stalin7 A negação de Deus entranha-se organicamente na doutrina de Marx, articulando-lhe toda a estrutura lógica e inspirando-lhe todo o dinamismo revolucionário.

    Já em 1844 na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel escrevia Marx: “Para a Alemanha, a crítica da religião está substancialmente terminada. Esta crítica condiciona toda a crítica... A abolição da religião, como felicidade ilusória do povo, é exigida pela sua felicidade real”. Este preconceito, fundamente enraizado no seu espírito, penetrará visceralmente na elaboração definitiva de todo o sistema. Partindo de uma concepção da história rigorosamente materialista, toda a realidade humana será reduzida ao jogo das forças produtivas ou relações econômicas. A religião, como as outras ideologias, não passa de um reflexo ilusório, no mundo das abstrações, das condições materiais de existência. É um produto histórico, sem consistência nem autonomia, transitório como as formações sociais do regime que lhe deram origem. Nasceu da necessidade que experimentou o homem de explicar a si e aos seus semelhantes as desigualdades criadas pela apropriação dos bens, por parte de alguns com detrimento dos outros. Seu efeito natural será reforçar e perpetuar o regime de que provém, sancionando estas desigualdades e injustiças. E como este regime é, por hipótese, um regime de exploração de uma classe por outra, a religião, tanto pela sua origem como pela sua finalidade, afigura-se ao marxista um instrumento de exploração, com seu indissimulável caráter de classe. Nas mãos da burguesia, a idéia de Deus e a esperança da vida futura com as suas compensações remuneradoras, são habilmente manejadas para manter, resignadas e submissas, as massas dos trabalhadores. A religião é o ópio do povo8. O poderoso narcótico, de um lado, provoca sonhos e fantasias de prazer que, na volta à realidade, se resolvem em desenganos e tristezas, de outro, paralisa as atividades orgânicas. A religião embala a humanidade em vãs quimeras e entorpece a pugnacidade libertadora dos proletários. Ilusão e ilusão malfazeja.

    Destes pressupostos sistemáticos sobre a natureza da religião, estabelecidos sem nenhum exame crítico do seu conteúdo e sem nenhum respeito à verdade da história, decorre espontaneamente a atitude prática do comunismo. Atitude de hostilidade total e inexorável. As necessidades estratégicas da luta poderão sugerir, aqui e ali, tolerâncias temporárias, condescendências aconselhadas por um oportunismo contemporizador. As exigências internas do marxismo imporão sempre uma guerra de extermínio e de morte. O marxismo combate e deve combater a religião, como combate a propriedade privada, a existência da burguesia, a sociedade sem classes. Todos esses objetivos, que consubstanciam a íntima razão de ser do comunismo, entrelaçam-se, indissoluvelmente, na textura ideológica do marxismo, com a idéia de Deus e a vida religiosa. Por isto, enquanto em prol da religião apenas se assegura a liberdade de culto, a liberdade ilimitada de propaganda anti-religiosa é garantida como um direito constitucional da Carta Orgânica que estrutura “a ditadura do proletariado” nas repúblicas soviéticas9. A emancipação do homem, finalmente libertado de toda a alienação, como a entrevê Marx, está condicionada pelo eclipse total e definitivo da idéia de Deus na consciência da humanidade. É mister chegar a esta aniquilação para que o homem entre “a mover-se ao redor de si mesmo e, assim, ao redor de seu verdadeiro sol. A religião é um sol ilusório que se move em torno do homem, enquanto o homem não se move em torno de si mesmo”10.

    O marxismo é essencialmente um ateísmo militante.

    I I

    Não há por que determo-nos longamente na crítica dos seus fundamentos doutrinais. Os postulados metafísicos que lhe constituem a subestrutura são de uma inconsistência insanável e Marx não trouxe em seu apoio nenhuma contribuição nova, digna de apreço.

    Deus, Absoluto transcendente, é a condição mesma de inteligibilidade de todo o real. Só nele poderá descansar, de modo definitivo, todo o pensamento que se completa. A estrutura como o dinamismo do Universo reclamam-no com a necessidade imperiosa e a exigência essencial de sua própria razão de ser. Explicar a crença constante e universal da humanidade num Princípio de tudo o que é, como um jogo ilusório de ficções ideológicas, para conservar e defender a propriedade, é simplesmente pueril. São muito mais sérias e profundas as razões que nos levam a Deus. Marx dispensou-se de examiná-las. E foi um grande mal11.

    O materialismo, outro postulado metafísico fundamental de sua sistematização ideológica, não apresenta maior consistência. É uma filosofia simplória de primitivos: suas explicações terminam onde começam os verdadeiros problemas da inteligência. Adolescente, respirou-a Marx na atmosfera tumultuária dos jovens hegelianos (Feuerbach, e, mais tarde, Vogt, Buechner e Moleschott), em reação violenta contra os excessos idealistas da geração postkantiana. Sua aplicação à interpretação da história, não obstante as aparências de uma análise fria e rigorosa, obedece às imposições aprioristas de uma visão preconcebida das coisas. O que devera ser historiador sereno, economista positivo, numa palavra, homem de ciência, está sempre a serviço do ideólogo apaixonado, infalível e prepotente. A sua perspectiva histórica não resulta de um exame objetivo dos fatos; os fatos são vistos através das lentes deformadoras de um sistema antecipado. Aos 27 anos, Marx ainda se não havia aplicado ao estudo da economia e já estavam firmadas as articulações mestras da sua construção ideológica. O Capital foi escrito depois do Manifesto.

    Vista através desse daltonismo, uma realidade fluida, movediça e complexa como a história não poderia deixar de sofrer deformações essenciais. Onde atua uma multiplicidade real de fatores – geográficos, biológicos, psíquicos e ideais – ele viu apenas o imperialismo absorvente e exclusivo das forças econômicas de que todas as demais são apenas epifenômenos inconsistentes. Onde se manifesta uma evolução a processar-se sobretudo em continuidade orgânica, ele não apurou mais que um movimento dialético de negações e conflitos.

    Transporta assim à história, o materialismo, se ganhou em dinamismo revolucionário que destrói, nada lucrou como verdade que salva.

    Mais interessante se nos afigura sublinhar a significação e as ressonâncias culturais de um movimento social que se afirma com uma energia de conquista crescente e ameaçadora.

    Da sistematização marxista não há uma só peça que tenha resistido vitoriosamente à análise científica. As suas principais doutrinas – postulados filosóficos e teorias econômico-sociais – estão hoje cientificamente superadas. Não suportaram o exame da crítica e o confronto dos fatos. Sobrevivem, porém, popularmente, com uma força de expansão formidanda. O partido comunista que se encarna, por uma conjunção acidental de circunstâncias favoráveis, empolgou o poder na grande e misteriosa e enigmática Rússia. Mobilizou os seus inesgotáveis recursos econômicos, galvanizou o messianismo secular do seu povo e pôs este imenso poder a serviço da mais hábil, mais tenaz e mais tecnicamente organizada das propagandas imperialistas. Destarte, o que há 30 anos, como doutrina era um sistema historicamente classificado, como força política era uma inexistência ou uma insignificância, assumiu, em nossos dias, o vulto da maior ameaça à civilização humana.

    O comunismo, de fato, não é apenas um sistema econômico, é uma filosofia integral da vida. Não aspira apenas a reformas da estrutura social, baseadas numa redistribuição mais eqüitativa dos bens materiais, reclama o monopólio incontrastável das almas. Pretende implantar a ditadura do proletariado e a ditadura das consciências. Uma religião às avessas. Seu dogma: o materialismo histórico. Sua ética: nova hierarquia de valores aferidos pelo imperativo condicional da vitória do partido. Seu ideal messiânico que eletriza as massas numa grande esperança escatológica: conquista emancipadora da humanidade. Nunca um totalitarismo estadeou pretensões tão radicais!

    Na propaganda deste programa, os postulados metafísicos, que já não se discutem, ficam em planos mais afastados da perspectiva. Concentrando as atenções imediatas, figuram a exploração hábil de ressentimentos históricos das classes sofredoras, as críticas contundentes das injustiças e desumanidades do capitalismo, a pintura risonha da sociedade futura, colorida com um otimismo ingênuo e sereno em contraste com o pessimismo azedo que projeta as suas negruras sobre todo o passado histórico do homem alienado e decaído. Assim se hipnotizam as massas. Assim se cria a mística do comunismo, e se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia atéia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo este patrimônio de riquezas humanas, que só têm valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção da vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas.

    Eis a grande tragédia do comunismo: a mobilização das melhores energias humanas para a construção de um porvir que será o maior desastre e a decepção total da humanidade.

    Este mundo que a revolução marxista prepara para a felicidade do homem será um mundo sem Deus. Um mundo em que se verificará o que Chesterton chamou “anomalia suprema dos tempos anormais, a derradeira negação que, para além de todos os dogmas, fulmina a crença mais necessária à alma: a de que existe uma razão das coisas”12. A inteligência já não poderá encontrar respostas às interrogações supremas sem as quais não lhe é possível viver. À vontade, com a negação do Infinito Bem, faltará a mola insubstituível do seu dinamismo metafísico. A consciência, reduzida a reflexo de condições sociais, perderá a sua dignidade de norma racional de ação. Os supremos valores da ordem ideal – a Verdade, o Amor e a Beleza – sem o único fundamento ontológico que lhes assegura realidade e vida, eclipsam-se numa noite sem esperanças. A morte impossível de Deus precipitaria a existência universal na negação eterna do nada. Não podemos prever o caos em que se desconjuntaria uma estrutura social em que fosse possível a extinção de Deus nas consciências humanas.

    Ateísmo e materialismo são solidários no sistema de Marx. Este mundo que se pretende elevar sobre tantas ruínas será ainda o mais inumano dos mundos. O problema central em qualquer estruturação da sociedade, o problema da pessoa foi, pelo marxismo, não só preterido, nos aspectos que lhe são próprios, mas de todo em todo falseado na natureza dos seus dados fundamentais.

    No homem não se viu senão a atividade econômica, característica de sua essência e plasma de sua sociabilidade. Os domínios mais nobres de sua vida individual e social – a cultura, o direito, a moral, a religião – foram anexados ao primado da economia. Onde convinha libertar o homem da hegemonia crescente e humilhante das forças de produção, consumou-se, como definitiva e ideal, a sua ditadura incontrastável. O homem já não deve dominar e disciplinar as relações econômicas para dirigi-las aos fins superiores da realização plena de sua personalidade, curva resignado o colo à tirania do seu jugo. A escravização ao econômico em vez de emancipação do econômico consuma a alienação irreparável e desumanizante.

    Com esta inversão de valores desnatura-se e avilta-se a dignidade do trabalho. O esforço humano já não tem outra razão de ser senão aperfeiçoar a matéria e criar utilidades. O trabalho é isto, mas não é só isto. O que o constitui uma atividade especificamente humana, é, antes de tudo, ser uma obra viva interior das almas sobrelevam em qualidade as riquezas materiais que multiplica. Trabalhando, o homem desenvolve harmoniosamente as suas mais nobres faculdades, colabora com a realização dos planos divinos da criação e procura transfigurar este mundo, de que foi constituído senhor, numa habitação em que possa desenvolver as suas energias e realizar a nobreza de seus destinos.

    No horizonte das esperanças humanas o comunismo acena com felicidades sonhadas de um paraíso perdido. Mas são estreitos estes horizontes  e falazes estas promessas. No indefinido em que se perde o olhar perscrutador do futuro, não se distingue senão riqueza e mais riqueza, conforto e mais conforto. Uma cúpula de chumbo, imensa e pesada, cinzenta e fria, não permite que se elevem as vistas acima dos bens materiais. O surto para o infinito, que constitui a essência mesma da personalidade, estará para sempre condenado a cair sobre si mesmo, no tantalismo de um desespero mortal. O homem transformar-se-á num animal de vista baixa: a terra estreitará para sempre o horizonte de suas perspectivas: o vôo de suas aspirações como o termo de suas atividades. Quando o trabalho se degrada à simples força criadora de valores econômicos, o homem, preso à matéria, verá alienado o melhor e mais nobre de sua natureza.

    E esta alienação vai ainda mais longe. Quando se desconhece a dignidade do espírito, o homem já não tem um destino próprio, essência da personalidade. Decai à categoria da coisa ou do instrumento à serviço da sociedade. Na fórmula de Marx, o ser humano “na realidade, é o conjunto das relações sociais”13. Os vínculos que, num dado momento histórico. O ligam ao meio, definem-lhe a natureza e esgotam-lhe a razão de ser. Já não há em cada homem uma vocação original que importa respeitar, uma fonte de direitos que não podem ser postergados, uma autonomia de atividades realizadoras de uma finalidade moral, indeclinável. Cerceiam-se assim, pela raiz, todas as liberdades humanas. O indivíduo é sacrificado à comunidade, o cidadão ao Estado, que lhe impõe o mais absoluto conformismo de idéias, de vontades e de sentimentos. Compreende-se que Marx ridicularize: “o inevitável estado-maior das liberdades de 1848: liberdade pessoal, liberdade de imprensa, de palavra, de associação, de reunião, de ensino, de cultos etc”. Compreende-se que seja imolada a geração presente à felicidade quimérica do futuro. O homem, totalmente alienado de sua excelência natural, não passa de joguete sem dignidade nas mãos dos que encarnam a falsidade de uma ideologia na tirania de uma ditadura.

    A grande tarefa da hora presente é dissociar do marxismo a obra imensa da elevação das classes operárias à participação mais eqüitativa em todas as riquezas da cultura. Ele não é nem pode ser o agente das transformações sociais por que suspiramos.

    A tentativa comunista, se realizada, comprometeria a civilização e mergulharia o homem, para sempre transviado dos seus destinos, na desgraça de uma catástrofe irreparável.

    Não é possível combater a Deus sem ferir o homem de morte.

    Ateísmo militante, humanismo inumano.

    http://permanencia.org.br/drupal/node/596

     

  • Bento XVI afirma que teoria da evolução é irracional  

    Bento XVI afirma que teoria da evolução é irracional 

    Papa acusou parte dos cientistas de tentar mostrar aos homens que Deus é "inútil"

    EFE


    REGENSBURG, Alemanha - O Papa Bento XVI disse nesta terça-feira diante de milhares de pessoas em Regensburg, na Alemanha, que a teoria da evolução é irracional, que o ateísmo moderno nasce do medo de Deus e que o ódio e o fanatismo destroem a Sua imagem.

    As declarações do Papa foram feitas a uma multidão calculada em 250 mil pessoas pelos organizadores do evento. Os fiéis se reuniram nos arredores de Regensburg para assistir à missa celebrada por Bento XVI, na cidade em cuja universidade ele deu aulas de Teologia. O Papa acusou parte dos cientistas de se empenhar em demonstrar que Deus é "inútil" para o homem.

    Bento XVI falou sobre o significado da fé e, após afirmar que o Credo "não é um compêndio de sentenças, nem uma teoria", perguntou se é possível ter fé nos dias atuais e se isso é uma coisa "racional".

    "Desde o Iluminismo, pelo menos uma parte da ciência se empenha com tenacidade em buscar uma explicação do mundo na qual Deus seja algo supérfluo. Assim, seria algo inútil para nossa vida. Mas a cada vez que chegam a essa conclusão, a realidade se mostra evidente. Sem Deus, as contas não fecham para o homem, para o mundo e o universo", afirmou.

    Sobre a origem das coisas, Joseph Ratzinger disse que existem apenas duas respostas: ou a "Razão criadora, o Espírito que faz tudo e fomenta o desenvolvimento" ou a "irracionalidade, que sem razão alguma, produz um cosmos ordenado de maneira matemática, ao homem e à razão".

    A última hipótese, segundo o Papa, seria apenas um resultado casual da evolução, "no fundo, uma coisa irracional". O Pontífice ressaltou que os cristãos consideram que a origem está em Deus e na razão, e não na irracionalidade.

    A autoridade máxima da Igreja Católica disse que o ódio e o fanatismo destroem a imagem de Deus e que o ateísmo moderno nasce do medo de Deus, que é bondade e amor.

    Bento XVI afirmou que apenas Deus salva o homem do medo do mundo e da ânsia diante do vazio da própria existência, garantindo que a fé não tem o objetivo de apavorar o homem, mas sim de chamá-lo a sua responsabilidade.

    "Não queremos que se faça justiça para todos os condenados injustamente, para os que sofreram durante toda a vida e foram levados pela morte, não desejamos que o excesso de injustiça e de sofrimento que vemos desapareçam no final, que todos no final sejam felizes e que tudo tenha sentido? Isso é o que se entende como o conceito do Julgamento", afirmou.

    Ratzinger incentivou os homens a não "desperdiçarem" suas vidas nem "abusarem" dela, a compartilhá-la e a não permanecer indiferentes diante das injustiças, "sendo coniventes ou cúmplices".

    Segundo o Papa, o homem tem que entender sua missão na história e responder a ela. "Sem medo, mas com responsabilidade e preocupação pela nossa salvação e pela de todo o mundo", advertiu o Papa, reiterando que, quando essa responsabilidade e preocupação se transformam em medo, os homens devem saber que "temos perante Deus um advogado que é Jesus Cristo".

    Ainda nesta terça-feira, o Papa vai visitar a Universidade de Regensburg, de onde foi vice-reitor. Depois de lecionar Teologia na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, Ratzinger continuou sua docência em Bonn, Münster e Tübingen.

    Ratzinger assumiu a cátedra de Dogmática e História do Dogma de 1969 a 1971 na universidade onde vai se encontrar com representantes da comunidade científica, diante dos quais pronunciará um discurso que vem sendo esperado com expectativa.

    Depois, Bento XVI fará um encontro ecumênico na catedral com representantes das igrejas luteranas e ortodoxas presentes em Regensburg, onde vive seu irmão, Georg, de 82 anos, e onde estão enterrados seus pais e sua irmã.
    (destaques nossos)


        Para citar este texto:

    "Bento XVI afirma que teoria da evolução é irracional"
    MONTFORT Associação Cultural
    http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20060912a/
    Online, 19/03/2020 às 13:26:00h

 

 


Galeria anti-ateísta
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"O ateísmo hoje conta com apoio bilionário de toda mídia internacional."

  Daniel Vinhas

Um apedeuta completo. Fanático e com ódio mortal, criou um estereótipo contra cristãos e passa a perseguir e atacar entes imaginários.

Hater Daniel Vinhas

Possui inúmeros fakes e contas para xingar, achacar, perseguir e mentir contra todos aqueles que não aceitem sua estreia visão de mundo. Pequenino e intrigueiro, denuncia e muda perguntas que não lhe agradam. Um exímio censurador.

Daniel Vinhas

"O ateísmo hoje conta com apoio bilionário de toda mídia internacional."

  Daniel Vinhas

Um apedeuta completo. Fanático e com ódio mortal, criou um estereótipo contra cristãos e passa a perseguir e atacar entes imaginários. Possui inúmeros fakes e contas para xingar, achacar, perseguir e mentir contra todos aqueles que não aceitem sua estreia visão de mundo. Pequenino e intrigueiro, denuncia e muda perguntas que não lhe agradam. Um exímio censurador.

Daniel Vinhas
Daniel Vinhas

"Caia fora do ateísmo para preservar seu livre pensamento."

Daniel Oliveira Fuser
  Daniel Oliveira Fuser

O maior perturbado da história do Yahoo Respostas, Daniel Fuser está online no site trolando desde 2006, impressionantes 24 horas por dia. Desafiando assim a biologia, por agir como máquina. Possui milhares de contas normais e centenas de contas nível 7. Conversa com ele mesmo e arruma confusão para muitos usuários, jogando uns contra os outros. Ninguém sabe se ele é sociopata maldoso ou sofre de doença severa no cérebro, sendo assim inimputável, portanto inocente.

"Caia fora do ateísmo para preservar seu livre pensamento."

  Daniel Oliveira Fuser

O maior perturbado da história do Yahoo Respostas, Daniel Fuser está online no site trolando desde 2006, impressionantes 24 horas por dia. Desafiando assim a biologia, por agir como máquina. Possui milhares de contas normais e centenas de contas nível 7. Conversa com ele mesmo e arruma confusão para muitos usuários, jogando uns contra os outros. Ninguém sabe se ele é sociopata maldoso ou sofre de doença severa no cérebro, sendo assim inimputável, portanto inocente.

Daniel Oliveira Fuser
Daniel Oliveira Fuser

"Os céticos sempre desconfiam dos apólogos ateístas como o darwinismo."

  Barraco o bamba

Troll chatíssimo que parece ser suportado apenas pela pópria mãe. Prega o ateísmo como se fosse uma religião dessas caça-cérebros.

Barraco o bamba
Barraco o Bamba, troll chatíssimo

Fundamentalista como um membro da Testemunha de Jeová, Espiritualismo ou Islamismo, não tem criatividade alguma e vive apenas para se fazer de vítima do cristianismo. E para reclamar da vida e do mundo inteiro.

"Os céticos sempre desconfiam dos apólogos ateístas como o darwinismo."

  Barraco o bamba

Troll chatíssimo que parece ser suportado apenas pela pópria mãe. Prega o ateísmo como se fosse uma religião dessas caça-cérebros. Fundamentalista como um membro da Testemunha de Jeová, Espiritualismo ou Islamismo, não tem criatividade alguma e vive apenas para se fazer de vítima do cristianismo. E para reclamar da vida e do mundo inteiro.

Barraco o bamba
Barraco o bamba

"O ateísmo não prova seu dogma do tudo vindo do nada. E por isso é uma piada!"

  Anti-ateu

Neo-pentelhocostal conhecido por ser o Daniel Vinhas ao oposto. Como fundamentalista que é, persegue aqueles contrários a sua insanidade.

Suspeito de ser dono de contas como Paixão Fogo e Glória, Michael Kadosh, Águia, Sam, PILICA, Richard Lee entre outras. Sofreu forte lavagem cerebral em seitas caça-níquel. Exclui perguntas e respostas dos ateus, mas também das pessoas inteligentes.

Paixão Fogo e Glória
Anti-ateu

"O ateísmo não prova seu dogma do tudo vindo do nada. E por isso é uma piada!"

  Anti-ateu

Neo-pentelhocostal conhecido por ser o Daniel Vinhas ao oposto. Como fundamentalista que é, persegue aqueles contrários a sua insanidade. Suspeito de ser dono de contas como Paixão Fogo e Glória, Michael Kadosh, Águia, Sam, PILICA, Richard Lee entre outras. Sofreu forte lavagem cerebral em seitas caça-níquel. Exclui perguntas e respostas dos ateus, mas também das pessoas inteligentes.

Paixão fogo e glória
Anti-ateu

"Quanto mais aumenta o ateísmo, mais aumentam os problemas psicológicos e psiquiátricos."

Meghan
Cacounger o missionário

  Meghan

Troll neo-pentelhocostal que se fazia de freira católica e nazista para difamar os católicos. Dizem ser uma criação do jihadista Anti-ateu.

Desapareceu do site após o neo-ateu Deuso ficar apaixonado por ela. Este usuário delirava de amor e dizia que todos os partícipes do site eram ela em um disfarce. Também levantam a hipótese de Meghan ser um troll do Son Goku ou Daniel Fuser.

"Quanto mais aumenta o ateísmo, mais aumentam os problemas psicológicos e psiquiátricos."

  Meghan

Troll neo-pentelhocostal que se fazia de freira católica e nazista para difamar os católicos. Dizem ser uma criação do jihadista Anti-ateu. Desapareceu do site após o neo-ateu Deuso ficar apaixonado por ela. Este usuário delirava de amor e dizia que todos os partícipes do site eram ela em um disfarce. Também levantam a hipótese de Meghan ser um troll do Son Goku ou Daniel Fuser.

Meghan
Meghan

"Somente os corajosos combaterão o ateísmo, pois serão estigmatizados e destruídos."

Burrico

  Burrico

Grande insquisidor, parece ser alma gêmea de seu camarada moralista Tut. Ambos condenam de forma implacável todos os cristãos.

Sofre do perigoso vício da nova-era esotérica, de se achar acima da humanidade inteira. É a famosa eugenia ou darwinismo de almas, onde os que pensam de maneira diferente são tratados como a escória da espiritualidade.

Burrico

"Somente os corajosos combaterão o ateísmo, pois serão estigmatizados e destruídos."

  Burrico

Grande insquisidor, parece ser alma gêmea de seu camarada moralista Tut. Ambos condenam de forma implacável todos os cristãos. Sofre do perigoso vício da nova-era esotérica, de se achar acima da humanidade inteira. É a famosa eugenia ou darwinismo de almas, onde os que pensam de maneira diferente são tratados como a escória da espiritualidade.

Burrico, o inquisidor
Burrico

"A violência, egoísmo e crises sociais mostram que não existe evolução da humanidade."

  Lucifer

Maluco de pedra, chegado em teorias conspiratórias da seita adventista. É um desigrejado e diz que tudo ligado a política ou religião é obra de satanistas. Afirma que sexo até mesmo para reprodução é pecado. Agora espalha visões esotéricas dizendo que lúcifer é Jesus Cristo. Apoiador de figuras anedóticas como cabo Daciolo. Aparenta ser alguém "zoando" no site, pois é muita fantasia pregada por ele.

lucifer, o Adelio Bispo do yahoo
Lúcifer

"Não fosse o iluminismo ateu, as duas guerras mundiais não teriam existido."

Maçom Aécio Neves

  Sobrinho

Diz ser da seita maçônica e está desaparecido do site atualmente. Persegue a Igreja Católica, inventando calúnias e narrativas fantasiosas.

Sobrinho

Comete vários erros ortográficos, mas afirma ser a pessoa mais culta do Brasil. Também conta histórias fantásticas em que protagoniza na realidade cenas de ação como o Rambo e Arnold Schwarzenegger. Lembra mais um pescador.

"Não fosse o iluminismo ateu, as duas guerras mundiais não teriam existido."

  Sobrinho

Diz ser da seita maçônica e está desaparecido do site atualmente. Persegue a Igreja Católica, inventando calúnias e narrativas fantasiosas. Comete vários erros ortográficos, mas afirma ser a pessoa mais culta do Brasil. Também conta histórias fantásticas em que protagoniza na realidade cenas de ação como o Rambo e Arnold Schwarzenegger. Lembra mais um pescador.

Maçom Michel Temer
Sobrinho

"Ninguém jamais virou ateu ou agnóstico sem sofrer influência exterior."

Leandro Karnal
  Poliônimo

Adepto fidelíssimo da seita de Leandro Karnal, o sacerdote do neo-ateísmo para adolescentes ou donas de casa e conhecido por ser o Olavo de Carvalho ao contrário. Militante da auto-ajuda (disfarçada de filosofia tupinambá) de Karnal, Poliônimo repete ipsis litteris tudo que o mestre prega. A cegueira ideológica faz deste usuário um zumbi com o único propósito de espalhar o progressismo e politicamente correto. Sendo hostil a qualquer coisa contrária.

"Ninguém jamais virou ateu ou agnóstico sem sofrer influência exterior."

  Poliônimo

Adepto fidelíssimo da seita de Leandro Karnal, o sacerdote do neo-ateísmo para adolescentes ou donas de casa e conhecido por ser o Olavo de Carvalho ao contrário. Militante da auto-ajuda (disfarçada de filosofia tupinambá) de Karnal, Poliônimo repete ipsis litteris tudo que o mestre prega. A cegueira ideológica faz deste usuário um zumbi com o único propósito de espalhar o progressismo e politicamente correto. Sendo hostil a qualquer coisa contrária.

Poliônimo
Poliônimo

"Ateísmo ou agnosticismo, ideologias que só enganam adolescentes."

  ps0458

Militante político tão fanático que comparado ao ISIS, faz este grupo terrorista parecer moderado. Parece ser um desdobramento da mente delirante do Lisandro Hubris (Daniel Fuser) que bolou personalidades de transtorno histriônico como ps0458, Dama de Vermelho, Sir Sirius e LGM. Pregador de um terrorismo ideológico de hospício. Ps0458 seria facilmente cooptado pelas fileiras xiitas de alguma republiqueta islâmica, para destruir cristãos pacíficos.

ps0458, nosso Jean Wyllys do Yahoo
ps0458

"Ateus creem no milagre de tudo surgido do nada, mas não conseguem a cura milagrosa contra pandemias."

Petista Lírio Serafim
  Lírio Serafim

Lobo em pele de cordeiro, tem inúmeras contas fakes que usa no anonimato para defender os quadrilheiros do PT e caluniar os defensores da democracia. Só sabe xingar os outros de "robôs" ou "bolsominions". Se faz de alma com pura ingenuidade, fracote e dodói, mas não passa de puro teatro. Pois defende a terrível esquerda, composta de pessoas maldosas e sem misericórdia alguma. Prega uma mistura turbinada de esoterismo petralha com anti-cristianismo.

"Ateus creem no milagre de tudo surgido do nada, mas não conseguem a cura milagrosa contra pandemias."

  Lírio Serafim

Lobo em pele de cordeiro, tem inúmeras contas fakes que usa no anonimato para defender os quadrilheiros do PT e caluniar os defensores da democracia. Só sabe xingar os outros de "robôs" ou "bolsominions". Se faz de alma com pura ingenuidade, fracote e dodói, mas não passa de puro teatro. Pois defende a terrível esquerda, composta de pessoas maldosas e sem misericórdia alguma. Prega uma mistura turbinada de esoterismo petralha com anti-cristianismo.

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O ateísmo é estupidificador!

Burro
Burro

O ateísmo é doutrina que envergonha seus adeptos. A prova disso está no fato de que todo ateu acredita que a matéria surgiu do nada. E esconde isso fazendo a falsa afirmação de que os cristãos que acreditam nisso. Inversão total.

Burro
Burro

Mas uma simples análise basta para constatar que o cristianismo afirma que tudo veio de Deus, não do nada. Então, os ateus se desesperam e fugindo, evocam o budismo, dizendo que o universo é eterno e atemporal.

Burro
Burro

O ateísmo copia religiões orientalistas, seja na suposta atemporalidade do universo, seja no dogma do darwinismo. Onde a mitologia da evolução biológica nada mais é que uma adaptação da evolução das almas.

Herói Bolsonaro

Herói Bolsonaro, defensor da humanidade, libertador das Américas.

 

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O ateísmo derrotado!

Cruz de Santiago
Cruz de Santiago

Os últimos três séculos mostram que o mundo foi introduzido na doutrina luciferiana do materialismo. A qual podemos chamar de religião de satanás. Onde o homem, pequenino e despreparado, diz ser o detentor de toda a verdade. Mas sabemos que o homem é uma besta e precisa de rédeas. Sem elas, o mundo caiu em egoísmo e crueldade jamais vistas. O século em que mais estivemos longe de Deus foi o XX. Por isso o mais bárbaro e sangrento da história. Derrotemos a ideologia materialista (agnosticismo-ateísmo) para fazer tudo voltar ao bem.

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